Languages

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Libertação, simples assim


Sérgio Maggio


Há perigo na esquina. Já anunciava o poeta Belchior num tempo em que o “sinal estava fechado” para a democracia brasileira. Não havia escolha. Os artistas brasileiros deram os braços, formaram uma corrente humana e foram as ruas clamar pelo fim da censura implacável que recaía sobre o país. Pode-se contar, com orgulho, a história da resistência brasileira ao conservadorismo e ao domínio golpista da direita a partir da posição de vanguarda dos artistas nacionais. É imprescindível lembrar que, quando o chumbo ficou grosso, com prisões, exílios, torturas e mortes, e todos pareciam estar acuados, eis que o teatro e a música caíram no desbunde, passando uma rasteira no pilar repressor da TFP (Tradição Família e Propriedade).
Eram os anos 1970 e a androginia comandou o baile da libertação. Homens peludos e de barba borravam a masculinidade com requebros e maquiagem. Os Secos & Molhados, com Ney Matogrosso à frente, e os Dzi Croquetes puxavam o tapete dos generais e anunciavam que já o século 21 se aproximava. Era o estopim para o nascimento do movimento do teatro besteirol, no qual atores assumiam papéis femininos e a cultura gay saía do gueto. Sem pegar em armas, os artistas, com extrema inteligência, desarticulavam a atmosfera tenebrosa da ditadura.
Agora, em novo tempo de perigo na esquina, expor a vida pessoal dessa forma como fez Daniela Mercury não deixa de ser um ato de coragem. As fotos íntimas postadas na rede social da cantora trazem em si uma bravura. Quem pode atentar contra o direito de amar e de ser feliz? Em nome de que Deus se pode definir o estado de direito de duas pessoas que se unem pelo afeto? Em sua sensibilidade de artista, Daniela Mercury lança-se à frente desse tanque de guerra, que se tornou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, como aquele rapaz que comoveu o mundo no protesto chinês da Praça Celestial. É um político ato de afeto.

5 comentários:

A Flor de Zíaco disse...

Excelenete análise Sérgio. Que cada um possa decidir como quer viver, sem auroraprejuizos para os outros.

Claudia Ferrari disse...

Meu amigo, suas palavras me comovem, assim como fez Daniela ontem. Seu texto é simples e ao mesmo tempo de uma profundidade incrível. Parabéns, estou com vc e não abro

Claudia Ferrari disse...

Meu amigo, suas palavras me comovem, assim como fez Daniela ontem. Seu texto é simples e ao mesmo tempo de uma profundidade incrível. Parabéns, estou com vc e não abro

Paula Barros disse...

Sua forma de escrever e expor o fato, torna o assunto, o fato, a atitude delas, mais afetuoso.

Carlão-Sam disse...

Ridicula e dramática essa sua alegaçã, num momento em que o país persegue um deputado por suas opiniões,apenas por isso e faz um cortina de fumaça desavergonhada favorecendo a troupe de canalhas lideradas por bandidos como zé dirceu e genoino(isso mesmo, em minusculas) que assumem um comissão tão importante para a vida do barsileiro. Em tese pode se dizer que mais uma vez,o boi sacrificado na hora errada e o verdadeiro sentido dessa perseguição, é dar a nação brasileira, um tapa-lhos que vai impedir o povo de ver e sentir a dimensaõ da verdadeira realidade do roubo desses canalhas! Quanto a essa ridicula matrona ou balzaquiana que não soube segurar um marido, filhos e família, a verdade é que ela está apenas a procura da mídia e popularidade que perdeu.