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terça-feira, 10 de julho de 2012

Memórias do Araguaia



Sérgio Maggio

 Os olhinhos da menina Liniane Haag Brum foram incapazes de reter a imagem fugaz do padrinho Cilon, que a batizou em 9 de junho de 1971, numa liturgia rápida, num misto de aflição e felicidade. Saiu da igreja São Sebastião, em Porto Alegre, para nunca mais ser visto. Foi para a Guerrilha do Araguaia, treinar para a luta por um país livre. Foi e não voltou nunca mais. Desapareceu sem vestígios. Mas a garota cresceu inquieta com essa memória. “Se tio Cilon nunca mais ia existir, por que continuava existindo além da carne, doendo além da dor — por que o sangue que não corria mais em suas veias continuava se coagulando nos veios da família? E por que — por quê — eu não parava de procurá-lo em todas as mínimas e absurdas coisas, como quando era criança”, escreve Liniane em Antes do passado, o silêncio que vem do Araguaia (Arquipélago Editorial), que será lançado hoje, às 19h, na Livraria Cultura (Shopping Iguatemi), com bate-papo com a autora. Em formato de crônicas, a obra é resultado de uma intensa investigação afetiva e factual feita por Liniane Haag Brum sobre a figura de Cilon, com viagens ao Araguaia. A entrada é franca.

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