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quinta-feira, 3 de maio de 2012

A dama do teatro







Mariana Moreira

Beatriz Segall não é dada a verborragias. Não é de seu estilo vangloriar-se dos feitos de sua carreira, que já atravessa seis décadas. No palco é que todo o seu diapasão cênico aflora. Desde que pisou no tablado pela primeira vez, em 1950, em uma montagem de O belo indiferente, de Jean Cocteau, ela já criou as mais variadas nuances para suas personagens, a ponto de considerar todos os sonhos artísticos realizados. “Já fiz tudo o que quis”, admite. Ainda assim, guarda fôlego para novas aventuras. Divide a cena, pela primeira vez, com o ator Herson Capri, na peça Conversando com mamãe, que demarca outra estreia: a de Susana Garcia, mulher de Capri, na direção. A peça faz rápida passagem por Brasília, hoje (03/05) e amanhã (04/05), às 21h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.
“Beatriz é uma grande dama dentro e fora de cena. Além de atriz excepcional, é uma pessoa especial, inteligente, culta e tem um caráter excepcional. Fomos nos conhecendo aos poucos e logo passei a considerá-la uma grande amiga”, elogia Capri, seu parceiro de cena. Foi ele o grande chamariz para que Beatriz aceitasse o convite, processo que acabou surpreendendo a veterana. “Susana sabe muito bem o que está pedindo ao dirigir os atores, o que é coisa rara”, afirma a atriz.
A perspectiva atual é a de uma vitoriosa, mas não foi fácil para a menina bem educada, filha de professores, versada em línguas, se integrar ao olimpo teatral, pois já a rondava o rótulo de burguesa. “Quando fui para São Paulo, as pessoas da classe artística achavam que eu estava ocupando o lugar dos outros”, conta. Mas ela foi em frente e traçou para si uma biografia de peso: já esteve ao lado de grandes nomes do teatro brasileiro, como Jardel Filho, Henriette Morineau, Gianfrancesco Guarnieri, Gianni Ratto, entre outros. Ao lado do marido, Maurício Segall, recuperou o Theatro São Pedro, em São Paulo, associou-se a grupos contemporâneos, como o Tapa, e ganhou fama na televisão.
 

Audiência

O capítulo Odete Roitman, por sinal, a persegue aonde quer que vá. Para muitos brasileiros, nunca houve, ou haverá uma vilã como ela. A reprise da novela Vale tudo, em TV fechada, chegou a liderar a audiência em seu horário de exibição, 1h da manhã. Mas a atriz não acompanhou a saga televisiva e acredita que voltar às telas não a torna mais conhecida do público jovem. “Acho que não interferiu em nada. A novela passava muito tarde”, desconversa.
Os anos de dedicação, no entanto, não garantem a viabilidade de seus projetos. “Nem sempre encontramos bons teatros e técnicos nas viagens. Patrocínio também é coisa difícil, porque teatro não dá dinheiro e se ninguém vai ficar rico, é difícil conseguir”, protesta. Dificuldades de coxia à parte, quando Beatriz surge no palco, sua mística parece intacta. Sobre a atriz, o diretor Marcelo Reinecke já escreveu: quando ela entra em cena, os deuses do teatro sorriem.



60 anos
Tempo de carreira
da atriz

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