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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Caetano na Esplanada

Quando Caetano pisou no palco, havia um mar de gente que escoava até às margens da Praça dos 3 Poderes. Ele sentiu o impacto, ficou nervoso e errou a nota de introdução de Terra, canção que dedilha, no violão, há mais de 30 anos. "Joguei um dó errado. É porque está muito bonito daqui de cima e eu tentarei cantar à altura dessa beleza". No gramado verde, havia mesmo uma Brasília deslumbrante. ìndia, negra, branca, estrangeira, de muitos sotaques e de tantos cabelos. Uma Brasília possível, lúdica, poética, que nada tem que ver com a amargura do poder, a tristeza dos acordos sórdidos que traem o povo. Estava ali uma Brasília de brasileiros e cidadãos do mundo, brincante, que fazia luzir àquela esperança que nos faz querer viver mais, mais e mais. Antes, Chico César tinha gritado "pega ladrão". Ninguém correu, todo mundo riu. Não havia no fim de noite de domingo corruptos e corruptores na Esplanada. Só gente, um mar de gente.

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