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terça-feira, 17 de abril de 2012

As 3 velhas em Cuba

Maria Alice Vergueiro, em passagem na homenagem a Dina Sfat, no Mitos do Teatro Brasileiro


                                                                 Sérgio Maggio

Maria Alice Vergueiro está em êxtase. No dia 5 de maio, atriz e uma equipe de 10 profissionais seguem para Cuba, onde, juntos, vão apresentar o espetáculo As 3 velhas, que teve temporada de casa cheia e repercussões de público e crítica no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). A montagem integra o prestigiado e tradicional festival Maio Teatral, organizado pela Casa de las Américas. “Estamos estudando como vamos fazer para adaptar a peça para o espectador cubano. Não sei se seria o caso de usar legendas. Talvez, uma síntese dos quadros resolveria, já que a peça tem um forte impacto visual e fala por si”, conta a atriz.
Sempre ligada ao movimento de vanguarda brasileiro, Maria Alice Vergueiro sonhou em ir a Cuba, num período de extrema obstrução da liberdade individual. Na década de 1970, com o Brasil mergulhado na ditadura militar, ela desejou conhecer a ilha de Fidel Castro, mas era muito perigoso, já que estava envolvida, sobretudo, com o Teatro Oficina, espaço que foi cerceado e violentado pela censura e por grupos armados de direita. “Agora, estamos neste momento interessante de transição. Acredito que há uma grande expectativa e muita cautela sobre esse processo de abertura. Como ficara? Eu não sei. Mas espero que eles consigam preservar todas as conquistas”, conta.
Com a apresentação marcada para 7 de maio, As 3 velhas apresenta ao povo cubano os pensamentos de Alejandro Jodorowsky, poeta, escritor, cineasta e dramaturgo chileno, que teve aproximações ideológicas com Cuba, nos anos 1960. Maria Alice e Jodorowsky se conheceram no Brasil e travaram aproximações afetivas a partir do jogo de tarô, exercício mítico e essencial para o criador chileno, em plena atividade hoje no Twitter. “O texto de As 3 velhas teve bastante interferência nossa. Mas a essencial é completamente dele”, observa a atriz.
Depois de temporadas no Rio, Brasília e São Paulo, As 3 velhas segue a estrada em festivais. Neste ano, passou por Recife e Fortaleza, seguindo em promissora carreira desde que estreou em 2010. Em cena, Maria Alice Vergueiro, Luciano Chirolli e Danilo Grangheia abalam as estruturas da burguesia ao retratar a vida de marquesas octogenárias e decadentes, num dos espetáculos mais inquietantes da última safra do teatro brasileiro, no qual Maria Alice Vergueiro, uma das nossas maiores damas do palco, expõe corpo e alma de atriz para construir uma experiência memorável. “Acredito que haverá um diálogo potente em Havana. Depois da apresentação, todos os artistas ainda participaram de um interessante e amplo debate sobre o tema teatro e realidade. Acho que vai sair coisas instigantes dessa conversa”, conta.    

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