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terça-feira, 29 de novembro de 2011

A poesia de Dina Brandão


Sérgio Maggio

Publicação: 29/11/2011 08:48 Atualização:

 (Monique Renne/CB/D.A Press )

J. Abreu e Dina Brandão em Mitos do Teatro Brasileiro Nelson Rodrigues

Desde 1977, Dina Brandão estava prenhe de um rebento que se alimentou e cresceu em seu útero até irromper hoje ao mundo. O filho poético, batizado de Do amor e seus descabelos, corre solto, livre das entranhas, e enche o leitor de possibilidades com versos, missivas, ensaio e o que a autora chama de plano de voo. Conhecida e respeitada no DF pelo exercício de atriz (para muitos, é uma diva), ela lança o primeiro livro solo depois da parceria com Vicente Sá em Ironia dos deuses, naquele distante 1977. “Foi uma obra feita bem no clima mimeógrafo, eu datilograva as poesias na máquina Olivetti de meu pai, depois recortávamos e colávamos tudo artesanalmente. Vendemos tudo na noite de autógrafos”, ri Dina.

Trinta e quatro anos depois, o nascimento de Do amor e seus descabelos obedece a outros procedimentos. Dina Brandão juntou as economias e pagou do bolso a edição caprichada e vistoriada pelo seu olho clínico. O livro tem belíssimas ilustrações de Tânia Botelho, prefácio do jornalista Fernando Marques e orelha de Vicente Sá: “Quem viu não esquece jamais. Uma pequena poetisa-bailarina de cabelos esvoaçantes a passear de mãos dadas com a poesia pela grama do Elefante Branco e pelas quadras de Brasília dos anos 1970”, escreve o amigo.

O que Vicente Sá viu em certa medida está espalhado pelas páginas de Do amor e seus descabelos, que é lançado hoje, às 19h, no Café Savana (116 Norte), numa noite em que Dina Brandão promete estar como seus versos: “Ontem desaguei um temporal./ Inundei minha casa, as ruas, as quadras./ Saí encharcando de lágrimas/ O cerrado do Planalto Central”.

O livro segue entre poemas numa viagem pelo tempo lúdico de Dina Brandão e recai em missivas sem destinatário, prosas poéticas sobre amores de todas as naturezas: “Ganhei também umas mangas bem madurinhas que chupei com uma boca tão gostosa de atrair abelhas fora de órbita, disputando o melaço que eu deixava escorrer pelos braços, e o queixo amarelo de tanta manga!”.

Leia poemas do livro:

Jejum
Laço com o meu olhar
Tudo que me é aprazível
Ao olfato e ao paladar
Às vezes a fome me engole
Ora a gula me devora


Notícia

A imprensa com seus impropérios
Derruba impérios



Selva Concreta

Flagrei um beija-flor

Tentando extrair o néctar

Da flor pichada no muro

Com certa elétrica.

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