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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Breu ainda ecoa em mim

Sérgio Maggio


Foto de Paula Huven

O tempo em Breu, espetáculo que esteve em cartaz no Teatro II do CCBB Brasília e agora se prepara para estrear no CCBB Rio (a estreia é 18 de janeiro), é uma categoria que ultrapassa a condição de elemento propulsor da narrativa. O tempo em Breu é a matriz dramatúrgica, o esqueleto, a alma do espetáculo sensível, quase no campo dos sonhos, de Miwa Yanagizawa e Maria Silvia Siqueira Campos. É diante dessa categoria de tempo que as diretora assentam cada elemento cênico da montagem.

A dramaturgia de Pedro Brício, por exemplo, ganha plenitude diante do espectador ao ser sentida pelo viés temporal. Tudo de essencial sobre o espetáculo é dito nas primeiras frases, quando os espectadores são lançados ao desconforto da escuridão total. Ali, desemparados do sentido primordial da visão, ouvimos as palavras-premissas de uma história-síntese que vai se alargar na próxima hora. Só depois as ideias, como estilhaços, ganham dimensão quando entram em conexão com o escoamento quase em ritmo de butô da narrativa.

As duas personagens (vividas em detalhe pelas atrizes
Andréia Horta e Kelzy Ecard
) em estado sensível de construção, são quase como borrões, que se significam dentro de um cenário realista, onde, numa luz de penumbra, que fala e diz tanto quanto as palavras, se pode observar cada detalhe daquela cozinha, pode se sentir o cheiro de café, e o desejo de comer cachorro quente. A memória é instigada em cada elemento que parece dialogar com o passado-presente de cada espectador. Eu vi ali muita coisa que diz de mim.

O convite é para sermos voyeurs do encontro entre duas mulheres que aparententemente se compõem diante do espectador. A expectativa doutrinada de se encontrar um ritmo lógico para essa narrativa desaparece à medida que a direção conduz a plateia para um outro campo de raciocínio, mais circular e feminino, menos cronológico e masculino. A sensação é de que é preciso olhar para Breu com olhos da alma, daqueles que não precisam mirar no relógio para ver o avanço dos minutos de montagem. É preciso olhá-lo como quem entende o tempo de outra maneira, do cair e do acordar do sol, dos avisos da natureza, sem os anseios de entender o todo, mas com o intenso prazer de viver cada pedaço.
A iluminação de
Tomás Ribas e a direção de arte/cenário de Aurora dos Campos, Miwa e Maria Silvia contribuem para a composição desse movimento suave que a peça se impõe aos olhos, Breu é uma delícia sensorial que passa pelo corpo do espectador e deixa marcas, sons, cheiros e sentidos. Nunca tinha visto falar do horror da ditadura de uma maneira tão súblime. Talvez toda a conexão de Miwa, por exemplo, com os antepassados japoneses explique esse doce cheiro de cozinha de avó que continua em mim mesmo depois da peça partir de Brasília.




4 comentários:

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