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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Elisa visita Dulcina

Brasília faz parte do círculo íntimo de Elisa Lucinda. Há mais de dois anos, ela exercita semanalmente a criação de crônicas. Muitas falam de uma cidade que escapa do rótulo de sede do poder público. A atriz, cantora e poeta percorreu, em palavras, da natureza ao concreto. O cerrado, o céu, as curvas e retas dos arquitetos são motes para crônicas poéticas ou poesias crônicas. Não importa o formato, a escritora sempre o rompeu em nome de um delicado sentimento de pertencimento. “Tenho uma onda com Brasília, é espiritual, há um registro emocional em mim, é como voltar para casa depois de um tempo fora. Sinto a mesma coisa quando retorno para o Espírito Santo (terra natal)”, conta.
Hoje, Elisa Lucinda desembarca para comandar oficina Da utilidade da poesia, do projeto Vivo EnCena, na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Uma vivência para 20 participantes de diversas formações. “Fico impressionada como a poesia é instrumento que recupera os recursos humanos. Quando a gente ensina um gerente de banco e um operador de telemarketing, por exemplo, a decorar um poema, eles voltam para aquele lugar da criatividade da infância, por vezes, tolhida. O gago, o medo de falar, muitas vezes promovidos pela escola preconceituosa, que chama o aluno de ‘lerdo’, ‘bagunceiro’, ‘indisciplinado’. Esse trabalho recupera a relação com a gente, sensibiliza o olhar”, conta.
Com inscrições encerradas, a oficina de 20 alunos é oportunidade para Elisa Lucinda rever a Brasília que está nos seus planos afetivos e profissionais. Aqui, por exemplo, ela deseja, um dia, correr com seus espetáculos pelas cidades do DF. Acredita que pode contribuir para mostrar uma outra capital ao Brasil, de outra forma. “Há uma Brasília sensível, moderna e muito interessante a ser focada”, conta Elisa Lucinda, que, naturalmente, põe a cidade em sua rota. “Acabei de estrear um show no Teatro Rival e pensei em fazer em Vitória e em Brasília.”
Com convite para entrar em novela da TV Globo, que ela não pode revelar a pedido do autor da trama, Elisa Lucinda corre para dar conta de tanto compromisso. Pare de falar mal da rotina, espetáculo de bolso que recentemente virou livro, não para de ser requisitado. Quando não está no check-in do Aeroporto, cuida das atividades da Casa Poema, no Rio de Janeiro, centro de cursos e saraus vibrantes, bem a cara e o estilo de Elisa Lucinda que, quando recita, inunda o ambiente de desejos.

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