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quinta-feira, 15 de setembro de 2011


Miguel Falabella vive Georges em Gaiola das loucas, de hoje a domingo, na Villa-Lobos

Sérgio Maggio


Estranho… Miguel Falabella não tem encontrado uma brecha para tuitar. A última vez em que ele postou foi 20 de agosto de 2010. Estava chegando ao Teatro de Paulínia e revelou-se espantado com a beleza arquitetônica. “Lindo”, exclamou. Depois disso, os 391.168 seguidores (contabilizados até as 10h21 de ontem) não receberam uma mensagem sequer. O que teria acontecido ao homem que tem a fama de fazer com o tempo o que ele bem quer?

O exercício de imaginação não é tão difícil de executar. Quem viaja o Brasil tem visto os outdoors de Gaiola das loucas anunciando a turnê da peça nas cinco regiões. Hoje, o espetáculo chega a Brasília. Estará na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro para quatro dias de temporada. Além de circular com a montagem desde abril, o artista se desdobra em mil para escrever a próxima novela das sete da TV Globo, Aquele beijo, com tomadas gravadas na Europa. Está também envolvido em duas produções em cartaz. Em São Paulo, dirige A escola de escândalos, no Teatro Raul Cortez, e Mais respeito que eu sou sua mãe, no Teatro Procópio Ferreira. Ainda encontra um vão entre os minutos para maturar o próximo projeto teatral: o musical Cabaret, com Cláudia Raia e grande elenco.

— Sou apaixonado pelo que faço e isso faz toda a diferença, anuncia Miguel Falabella.

Superprodução
E é assim transbordando de desejo que ele sobe ao palco hoje num projeto que acalentava há tempos e agora se desdobra. Primeiro no Rio, ele e Diogo Vilela deram vida à versão do musical que estreou na Broadway em 1983, uma superprodução com 25 atores que fez um estrondoso sucesso no fim do verão de 2010. Agora, segue em temporada com a montagem do texto original do dramaturgo francês Jean Poiret.

— Estreei a versão do musical em março de 2010 com uma temporada de seis meses no Rio e, depois, cinco meses em São Paulo. Como não era possível viajar, compramos os direitos da comédia que deu origem ao musical, e criamos um novo espetáculo. Ambas são obras magníficas que devem ser prestigiadas tanto por nós artistas como pelo publico que se divertirá com o toque de humor dado na versão brasileira.

Por envolvimentos em outros projetos, Diogo Vilela saiu da turnê. Miguel Falabella chamou o também amigo Sandro Christopher, ator e cantor que saiu de Brasília para brilhar na versão brasileira do musical Os miseráveis. Eles vinham da parceria de Os produtores, um dos grandes hits da Broadway que Miguel montou em São Paulo.

— Como a montagem não é a mesma Sandro consequentemente criou a sua própria Zazá.


Zazá é a principal vedete transformista do cabaré comandado Georges numa história que se universalizou a partir do grande sucesso teatral em Paris, ganhando duas versões cinematográficas. A melhor é a ítalo-francesa de 1978, cinco anos depois da estreia no Théâtre du Palais Royal, em Paris. Na Brasil, a peça estreou em 1974 numa antológica montagem com Jorge Dória e Carvalhinho. Miguel Falabella viu a montagem que entrou no glorioso repertório de Dória durante décadas.

— Adorei. São dois atores que admiro. Amei a versão deles.

Na estreia do musical no Rio de Janeiro, em março de 2010, a sessão para convidados foi dedicada a Jorge Dória, que foi assistir de cadeira de rodas, por conta de sequelas de um AVC. Ao fim do espetáculo, Dória, um dos maiores atores do teatro brasileiro, não escondia o sorriso e a emoção. Da plateia, ficou feliz com as palavras acarinhadas de Falabella.

— Quero dedicar esse espetáculo a uma pessoa muito especial, que está aqui nos assistindo, e foi o primeiro a encenar a peça no Brasil, meu querido Jorge Dória.

GAIOLA DAS LOUCAS
Sala Villa-Lobos (Teatro Nacional, Via N2; 3325-6239). De hoje a sábado, às 21h; e domingo, às 20h. Ingressos: R$ 120 e R$ 60 (meia). Assinantes do Correio têm 50% de desconto no ingresso inteiro (cupom Sempre Você). Não recomendado para menores de 14 anos.

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