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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A memória do teatro


A mémoria de Lélia Abramo será saudada no dia 16 de agosto, às 20h, no CCBB Brasília, com Antonio Abujamra e João das Neves. Entrada franca

Sérgio Maggio

Ano passado, um internauta respondeu-me pelo Twitter, quando postei sobre uma das maiores atrizes do século 20, quando divulgávamos o Mitos do Teatro Brasileiro, projeto de Ideias do CCBB Brasília: “Achava que Cacilda Becker era um teatro. Não sabia que era uma pessoa!” Cacilda Becker, dama dos palcos que lutou bravamente contra a censura cruelmente imposta ao teatro e a prisão de artistas durante a ditadura militar, infelizmente está esquecida entre as novas gerações. É da natureza do teatro a fugacidade, o aqui e agora do espetáculo que, depois de fechada a cortina, sustenta-se apenas na lembrança de quem viu. O que sobra são vestígios: fotografias, programas, cartazes, figurinos, resenhas em jornais e, hoje, DVDs. No Brasil, não um projeto nacional de preservação da memória do teatro. A Funarte mantém um site com algumas biografias e fotos, mas a maioria dos acervos dos artistas mortos se perde com os herdeiros. Onde estão as joias teatrais deixadas por Cacilda Becker, Procópio Ferreira, Jaime Costa, Leopoldo Fróes e Nelson Rodrigues? O que sobrou do legado de Dulcina de Moraes, por exemplo, está em quartinho da Fundação Brasileira de Teatro sem condições ideais de preservação.Há pouco, descobrimos que o acervo do grandioso Augusto Boal vai para a Universidade de Nova York. A viúva Cecília Boal revela o desejo de encontrar com a presidente Dilma Rousseff para falar sobre o destino do tesouro deixado pelo criador do Teatro do Oprimido. O momento é propício para se pensar na memória do teatro brasileiro. Um museu com acervos e biografias digitalizadas é sonho para salvaguardar a luta de tantos homens e mulheres que fizeram do nosso teatro um dos mais vigorosos do mundo. O conteúdo do teatro brasileiro em disciplinas de arte também poderia tirar a juventude da cegueira cultural.Hoje, já não se sabe mais quem foi Dina Sfat e, acredite, Paulo Autran — astros que também brilharam na popular telenovela. O teatro brasileiro que já apanhou e enfrentou a ditadura militar merece a atenção de um país que almeja ser uma potência mundial. Sem memória, seremos um gigante abobado, cujos cidadãos jovens vão continuar acreditando que um prédio de concreto tem nome próprio por pura obra do acaso.

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