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terça-feira, 12 de julho de 2011

A voz dos excluídos



O Centro Cultural Banco do Brasil apresenta o segundo módulo de Mitos do Teatro Brasileiro — Ano II,dedicado a trajetória e a arte de Plínio Marcos, autor que desafiou a moral de uma época

Cinco espectadores (um deles bêbado) ocupavam o subsolo de uma galeria descolada no centro de São Paulo. Estavam ali para assistir à montagem Dois perdidos numa noite suja, cujo autor e ator era vigia do Teatro de Arena. Mal sabiam eles que se tornariam testemunhas de um espetáculo apontado como marco histórico na dramaturgia nacional. Naquele dezembro de 1966, nascia ali a mais cruel das peças brasileiras e Plínio Marcos deixava de ser uma promessa para se tornar um autor definitivo na modernização do teatro.

Ao trazer para os palcos os dramas e a linguagem de personagens que habitavam a marginalidade, o jovem santista Plínio Marcos não só causou frisson na plateia urbana e de classe média como deu visibilidade a tipos considerados desprezíveis pela moral e bom costume da época. Prostitutas, homossexuais, travestis, detentos e cafetões ganharam voz num teatro até em então espelho da classe média (Nelson Rodrigues) ou do proletariado (Gianfrancesco Guarnieri). Em razão disso, Plínio Marcos pagou o preço da ousadia e se tornou o autor mais perseguido pela censura.

O teatro seminal de Plínio Marcos ocupa o palco do Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no segundo módulo de Mitos do Teatro Brasileiro — Ano II, no dia 19de julho (terça-feira), às 20h, com entrada franca (as senhas devem ser retiradas 1 hora antes do evento). Em cena os atores J. Abreu e João Paulo Oliveira interpretam cenas inéditas, criadas pelo diretor e dramaturgo Sérgio Maggio, enquanto os atores Emiliano Queiroz e Nelson Xavier testemunham fatos relevantes vividos ao lado do autor, ator, diretor, escritor e palhaço.

Ator do primeiro Veludo, personagem de Navalha na carne, nos palcos do Rio, Emiliano Queiroz fez de Plínio Marcos uma das suas maiores influências na carreira, interpretando sucessivos personagens no teatro e no cinema . “Plínio está na base da minha formação”, orgulha-se Emiliano. Pioneiro na dramaturgia de Plínio, Nelson Xavier também coleciona personagens e histórias com o autor. “Eu substitui Plínio Marcos na temporada carioca deDois perdidos numa noite suja.”

Após celebrar com emoção a memória de Maria Clara Machado (em 21 de maio), o projeto Mitos do Teatro Brasileiro seguirá homenageando, Lélia Abramo (16 de agosto, com Antonio Abujamra e João das Neves), Paulo Autran (21 de setembro, com Karin Rodrigues e Elias Andreatto), Augusto Boal (18 de outubro, com Amir Haddad e Aderbal Freire-Filho) e Dina Sfat (22 de novembro, com Juca de Oliveira e Thelma Reston).

Num formato de teatro-documentário, no qual se constrói ao vivo a biografia do homenageado, a partir da junção de cenas, depoimentos e vídeos, o projeto Mitos do Teatro Brasileiro contribui para consolidar a memória das artes cênicas. “É uma aula-espetáculo, na qual aprendemos juntos, artistas e plateia, a entender a construção desse teatro”, observa o ator J. Abreu

* Acompanhe a pesquisa do projeto no blog mitosdoteatrobrasileiro.blogspot.com e siga-o no Twitter @mitosdoteatro

SERVIÇO:


Projeto: Mitos do Teatro Brasileiro

Homenagem a Plínio Marcos (19 de julho)

Horário: terça-feira, às 20h

Duração: 100 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Local: Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB) – SCES, Trecho 2, Lote 22, Brasília

Telefone: (61) 3108-7600

Ingressos: Entrada franca. Senhas serão distribuídas na bilheteria com 1 hora de antecedência.

O CCBB disponibiliza ônibus gratuito, identificado com a marca do Centro Cultural. O transporte funciona de terça a domingo, saindo do Teatro Nacional a partir das 11h.

Trajeto e Horários

Teatro Nacional: 11h, 12h25, 13h50, 15h15, 16h40, 18h05, 19h30, 20h55, 22h

SHN – Manhattan: 11h05, 12h30, 13h55, 15h20, 16h45, 18h10, 19h35, 21h, 22h05

SHS – Hotel Nacional: 11h10, 12h35, 14h, 15h25, 16h50, 18h15, 19h40, 21h05, 22h10

SBS – Galeria dos Estados: 11h15, 12h40, 14h05, 15h30, 16h55, 18h20, 19h45, 21h10, 22h15

Biblioteca Nacional: 11h20, 12h45, 14h10, 15h35, 17h, 18h25, 19h50, 21h15, 22h20

UNB – Inst. Artes: 11h30, 12h55, 14h20, 15h45, 17h10, 18h35, 20h, 21h25, 22h30

UNB – Biblioteca: 11h35, 13h, 14h25, 15h50, 17h15, 18h40, 20h05, 21h30, 22h35

CCBB: 12h10, 13h35, 15h, 16h25, 17h50, 19h15, 20h40, 21h45, 22h45


Assessoria de Comunicação

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