Languages

terça-feira, 28 de junho de 2011

Quem matou as faixas




Sérgio Maggio


De uns tempos para cá, Brasília virou o paraíso das faixas, que são fincadas nos balões, às margens do Eixo Monumental, nas entradas das cidades, nos jardins dos prédios públicos, em todos os cantos e, se duvidar, nas esquinas imaginárias do Plano Piloto. Multiplicam-se como pragas, verdadeiros Gremlins — aqueles monstrinhos de Hollywood produzidos por Steven Spielberg, que brotam aos quilos quando entram em contato com água. É uma espécie de classificados gigante, que vende apartamento de três quatros pela “módica” fortuna de R$ 1,4 milhão (leia, mesmo que incrédulo, um milhão e quatrocentos mil reais), oferece de “melhorias” para a monografia de conclusão de curso universitário até profissionais para passear com cães.
Em frente à Câmara Distrital, surgiu o modelo que avisa o que tal deputado anda “fazendo pelo povo”. Há ainda as que avisam que o churrasco de domingo baixou para R$ 19,90 por cabeça. Pelo Setor Gráfico, sempre se encontram aquelas mais picantes, avisando que vai ter show erótico com estrelas pornôs. Isso sem falar nas mais ousadas tipo “Pâmela, discreta e suculenta, no aguardo”.
Para aqueles de olhos atentos, o que eu vou narrar aqui é uma velha novidade. De umas semanas para cá, as faixas de toda natureza de anúncio têm sido “massacradas”, “mortas” e “dizimadas”. Todas da mesma forma, como se fossem executadas por um minucioso serial killer, que abre um furo enorme, removendo todos os caracteres. Ficam apenas os dois suportes que a sustentam e, no meio, aquele buraco que dá para avistar até o que sobrou de Cerrado no Plano Piloto. Ninguém escapa ao furor desse “assassino de faixa”. Nem aquelas pequeninas que avisam que na próxima quadra tem pizza grande a R$ 9,90 (na boa, essas bem poderiam escapar do genocídio, devido ao grau de utilidade).
Tenho investigado por conta própria quem tem feito justiça com as próprias mãos, ou melhor, com a tesoura. Qual o cidadão assumiu o papel do Estado, que deveria coibir a proliferação das faixas de rua, já que o controle da poluição visual é uma das mil e uma tarefas obrigatórias de uma razoável gestão pública. Há balões, que antes dava gosto contornar pelo colorido e pela abundância das flores, que hoje estão completamente rodeados de faixas ou o que restaram delas — devido à ação implacável dessa espécie de “Zorro urbano”.
Pois bem, minhas investigações sobre “quem matou as faixas?” avançaram a ponto de saber que o “assassino” dessa praga urbana consumista é, na verdade… (tchan, tchan, tchan)… Um coletivo que se denomina “Os Exterminadores de Faixas”. Claro que eles agem em nome de uma cidade limpa, que não se torne esse outdoor ambulante, onde tudo pode ser vendido aos olhos de um milhão de carros que circulam por Brasília. Agem em prol do que acreditam ser melhor para a cidade que habitam e defendem. Lógico que eu não quis saber a identidade de nenhum deles. Para mim, bastou a identificação do grupo, que tem expresso em todas as faixas o desejo de voltarmos a ter uma cidade mais limpa e organizada.

Nenhum comentário: