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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Marcha das vadias




Sérgio Maggio

Brasileiro não tem costume de ir às ruas protestar contra qualquer coisa. Não com a mesma intensidade dos argentinos, por exemplo, que batem panelas pelos seus direitos de cidadão. É preciso algo forte para fazer as pessoas se aglomerarem. Nem mexendo no bolso, como nos recentes aumentos abusivos dos salários de parlamentares e de verbas de gabinetes, o povo resolve tirar alguns minutos do cotidiano para gritar que está insatisfeito. É cultural, costumam dizer os mais polianas. Era comum, na época da Caixa de Pandora, quando as manifestações de algumas dezenas de estudantes paralisaram o Eixo Monumental, ouvir uma ou outra pessoa aparentemente bem estudada soltar: “Isso é falta do que fazer!”

Fora os gays e os cristãos, os protagonista da hora, não temos grandes passeatas pelas capitais do país. Mas eis que algo começa a inquietar o brasileiro. Pode ser um modismo da hora, um efeito Egito ou uma absoluta vontade de querer ocupar o espaço público. O fato é que o Facebook e o Twitter viraram escritório para arquitetar as marchas. As mídias sociais estão, de alguma maneira, instigando o pacato cidadão brasileiro a querer soltar o verbo. Falo aqui também do autônomo, os que não carregam bandeiras de partidos para as mobilizações.
Neste exato instante, nas redes sociais, não se fala em outra coisa que não seja a Marcha das Vadias, que ocorrerá em Brasília, no dia 18 de junho, às 12h, com concentração em frente ao Conjunto Nacional. Antimachista, a passeata seguirá pela Rodoviária, Torre de TV e chegará ao Parque da Cidade, onde, às 14h, se emendará com a Marcha pela Liberdade —- um encontro em defesa de outra marcha, a da Maconha, duramente reprimida pelo Estado.

O interessante nesses encontros, além de mostrar aos políticos que eles não podem fazer o que quiserem com o brasileiro eleitor, é o encontro de diversos movimentos organizados com gente que não reza só numa cartilha de dogmas, seja ele religioso seja político. Respeitar o direito de aglomerar-se, mesmo que a causa seja contrária a crenças e posicionamentos pessoais, é entender que o Brasil amadurece para uma sociedade que não se contenta mais em baixar a cabeça, enquanto um centena de representantes decidem o futuro da nação à revelia do seu interesse. Falando nisso, que tal organizar a Marcha contra o Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados que, como bem disse a presidente Dilma Rousseff, “é uma vergonha”?

3 comentários:

Adeilton Lima disse...

Sim, Sérgio, há pessoas se organizando para a marcha contra o código florestal.
Abraço!

Jandirainbow disse...

Sergito, aqui no Rio estão organizando a marcha contra a reforma do código florestal "uma vergonha". Está marcada (e me parece que confirmada) para o dia 19 de junho, na orla de Copacabana. Eia, Brasil!! Essa bem também poderia ser replicada Brasil afora!

Raí Marques Produções disse...

Poderíamos pensar em várias marchas saindo de vários pontos de Brasília e cidades. Motivos não nos faltam.