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quinta-feira, 23 de junho de 2011

E Pluft chorou o mar...





Fotos: Autor: Adauto Cruz/CB/D.A Press


Um encontro catártico, com direito a lágrimas, risadas e revelações. Assim foi a homenagem prestada à diretora, dramaturga, atriz e professora Maria Clara Machado, anteontem, durante o primeira módulo do projeto Mitos do Teatro Brasileiro 2011, no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O tributo foi feito pelos atores J. Abreu, Vanessa Di Farias e Wilson Granja, a sobrinha de Maria Clara, Cacá Mourthé, além de Zezé Motta, atriz revelada pelo Tablado, grupo e escola de teatro criados pela homenageada. Descontraída, Zezé chegou a sentar-se no chão do palco para acompanhar as projeções e cantou, a capela, a música Minha missão, de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, em um dos momentos mais emocionantes da noite. Ainda ouviu da sobrinha e herdeira da obra uma confissão: “Minha tia escreveu a peça Miss Brasil para você”, disse Cacá.

A noite começou com o trio de atores da cidade em uma cena inédita, em referência ao clássico Pluft, o fantasminha, a peça mais famosa da autora. Em seguida, foi exibido o documentário Maria Clara Machado e O Tablado, da cineasta Creuza Gravina, que revelou depoimentos de egressos da escola criada por ela. Rostos conhecidos desfilaram pelo telão, como Malu Mader e Marieta Severo, que afirmou que “Maria Clara e O Tablado estão no início de tudo”. A aparição virtual mais aplaudida foi a de Lupe Gigliotti, que contou, em um poema, o episódio de sua estreia nos palcos. Um dia, quando deixava a filha, a também atriz Cininha de Paula, em uma aula da escola, ouviu de Maria Clara a provocação para subir no palco, e nunca mais saiu. “Estava morta e nem sabia. Fui lá para ressuscitar”, afirmou.

No momento de prestar sua homenagem à tia, Cacá Mourthé ressaltou o lado cômico e galhofeiro de sua mentora teatral. “Ela era uma moleca”, repetiu várias vezes. Uma história que arrancou gargalhadas da plateia foi a comitiva de recepção que Maria Clara preparou para receber um diplomata estrangeiro. Quando soube que ele visitaria sua casa para conhecer os hábitos de uma família comum do Brasil, definiu papeis para cada um. As irmãs ganharam vassouras para rodopiarem como porta-bandeiras pela casa, a madrasta ganhou um espanador na cabeça e a caçula posicionou-se em um pinico colocado em cima da mesa de jantar. A brincadeira foi desfeita em seguida.

Cacá ainda preparou um vídeo recheado de depoimentos de tabladianos, entre eles as atrizes Louise Cardoso e Cláudia Abreu com o figurino de Pluft, o fantasminha. Em alguns trechos, depoimentos da própria Maria Clara, que chegou a comparar seu teatro a um laboratório médico. “Ter este palco faz com que eu possa dar oportunidade a muita gente boa”, admitiu.

Histórias de Zezé
Com medo de se emocionar e esquecer partes importantes de seu depoimento, Zezé preferiu fazer uma “cola” para sua fala, na qual relembrou sua chegada em O Tablado, depois de ganhar uma bolsa concedida por sua escola, pelo interesse em assuntos culturais. Ela teve o privilégio de ser aluna da diretora e criadora de O Tablado. “Sempre me lembro dela sorrindo, com os olhos lindos. Maria Clara era determinada, moderna, incansável, aprendi tudo com ela. Ela abria o mundo para as crianças com muita delicadeza”, elogiou. A noite seguiu com a exibição de mais duas cenas teatrais, inspiradas na participação de Maria Clara na montagem Ensina-me a viver, e nas alegrias de sua infância na fazenda. Depois, a homenageada surgiu em vídeo, mais uma vez, em cena do filme O cavalinho azul, de Eduardo Escorel, antes de Zezé comandar o gran finale,.

A plateia estava cheia de atores locais, que revelaram a importância da obra da dramaturga em suas carreiras. “Essa mulher inventou um teatro brasileiro com seus personagens. Dirigi algumas peças dela, ainda no Ceará”, afirmou B. de Paiva. Gê Martú, outro nome tradicional do cenário teatral, atuou em textos de autoria dela. “Pisei nos palcos por meio do teatro infantil”, conta. Noite de saudosismo para alguns e de descoberta para outros. “Hoje, aprendi a gostar um pouco mais de teatro”, afirmou o estudante Micael de Paula, 11 anos. No dia 19 de julho, o evento homenageia Plínio Marcos, com Emiliano Queiroz e Nelson Xavier.

2 comentários:

Cassandra Plicts disse...

Lindo demais tudo isso, esta homenagem à memória do teatro

Jandira disse...

Ei, Maggio.
Quem vai homenagear o Plínio Marcos? Brasília têm duas montagens recentes muito interessantes: O Diário do Maldito, do grupo Concreto e Dois Perdidos do Arthur Curado e do Sérgio Santório.
Abraços fortes
Jandira