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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Visita à Mãe Railda


Fotos de Zuleika de Souza

Sérgio Maggio

Brasília tem um sacerdotisa negra. Absoluta, ela reina em seu templo, onde as árvores são paramentadas como deuses e as folhas aliviam as dores do corpo e da alma. Lá, em Valparaíso, no Ilê Axé Opô Afonjá — Ilê Oxum, o dia de quarta-feira é sagrado. Essa baiana serve o amalá de Xangô, comida ofertada ao orixá que, na Bahia, pulou dos terreiros e adaptou-se como o típico caruru (aquele miudinho de quiabos, gengibre, camarão seco, amendoim e azeite de dendê). Come quem chega, pede a bênção e é convidado para se sentar à mesa ampla do salão, onde Mãe Railda oferece, com a gentileza de uma anfitriã de rara nobreza, a iguaria do santo africano.
Enquanto se delicia com a comida, ouvem-se histórias dessa matriarca, vaidosa como toda filha de Oxum — deusa da beleza e dona da água doce. Desde menina, conta ela, já tinha aprendido cantos, rezas e mitologias. Quando Oxum fez assento em sua cabeça, lembra, estava com 12 anos. Predestinada, enfrentou preconceitos, foi expulsa de casa e até chegar a Brasília, no começo da cidade, não sabia que teria um terreiro cravado no meio cerrado.
O silêncio da sala, os pássaros que cantam, o vento que balança as folhas compõem a trilha de fundo para a narrativa melodiosa de Mãe Railda. Ela enche-se de brilho para falar de Mãe Menininha, a Oxum mais bonita, segundo Caymmi. Foi ela quem aconselhou Mãe Railda a voltar a Brasília num período de desassossego. Dizia que via uma casa bonita governada por uma rainha tão famosa quanto ela. Aconselhou-a: “Minha filha, não teima com Xangô. Brasília precisa de você. Lá, só tem cerrado.”
Mãe Railda pertence a fina linhagem das sacerdotisas do candomblé. Foi iniciada no Axé-Opô-Afonjá, uma das casas mais sérias do país. Lá, na Bahia, os tambores a reverenciam pela seriedade e fé com que realiza o seu ofício de mãe de santo no DF. Aqui, a sua importância é histórica, já que, como capital do Brasil, Brasília necessita abrigar e representar todas as religiões desse país laico. E Mãe Railda exerce o matriarcado com respeito e prontidão.
Nesse cerrado que virou um terreiro sagrado dos deuses africanos, há até um Iroko, orixá que se manifesta numa árvore frondosa cujas raízes saem da terra como tentáculos gigantes. Para entrar debaixo do seu mar de folhas, é preciso pedir permissão. Um ritual de respeito à natureza comandado por Mãe Railda e por muitos dos seus filhos e netos, como Ronaldo D´Oxum, pai de santo que coordena a Casa do Mel, em Riacho Fundo 2, um espaço de culto e de atividades culturais e educativas. Também roteirista de cinema, ele sonha realizar uma oficina para meninos e meninas da comunidade a fim de ensinar os muitos ofícios que cabem na feitura de um filme.
Já faz um tempo que eu fiz essa visita à casa de Mãe Railda. Mas, ontem, 28 de abril, tudo veio à minha mente como se fosse o aqui e agora. Quem me levou por esse portal do tempo foi Sandra, uma de suas filhas. Ela é massagista e relaxa o corpo do outro com pedras quentes, colhidas em rios e áreas vulcânicas. “Iaiá adora essa massagem”, revela a filha orgulhosa por aliviar o corpo dessa rainha negra baiana-brasiliense. Axé!

9 comentários:

Mirtes Cristina disse...

Mãe Oxum me banhe de mel

Anônimo disse...

por favor, qual o endereçodo T.. Railda no Valparaizo, tem algum referencil para localizar com mais facilidade e ou telefone de contato?

Ana disse...

Oi! Vc teria como, por favor, me passar o endereço do terreiro ou a forma de chegar? Desde já, obrigada!

deyvison disse...

eu gostaria muito de saber como chegar nessa casa, alguem poderia me falar como chegar nesse santuário?

deyvison disse...

Eu gostaria muito de saber como chegar nesse santuário, alguém poderia me falar como fazer isso ou me passar algum telefone para contato?

Lídia Tamires Gualberto disse...

Gostaria de saber o endereço ou telefone, tem como alguém me passar?

Anônimo disse...

Ola boa noite
Espero q veja minha MSG
Primeiramente a sua bênção minha mãe, o seu axé e de todos os orixá
Não sou de religião afro mas sou um grande admirador de sua religião,
Venho aqui mostra meu respeito e minha curiosidade pela religião e tbm pelo seu ile que vem de uma grande tradição mesmo sabendo muito pouco, sei q o ile axe opo Afonjá e muito respeitado, venho deixar um grande abraço a senhora, e espero q um dia veja a msg, e tbm espero receber um convite da senhor pra visita a casa srsrsrsrs
Como falei tenho grande curiosidade de entra eu uma casa de axé, mas não digo medo digo receio de não conhecer nunca fui e tbm a falta de convite, moro ao lado de ile de pai Lilico d'oxum em sobradinho

Anônimo disse...

São dois lugares q um dia com fe em deus irei conhecer e a sua casa e a casa de pai Lilico

Anônimo disse...

Minha mae o meu abraço a senhora ,
e meu respeito pela sua religião do meu modo estarei aqui rezando pela senhora e por todos o zeladores q a nessa terra e pela expansão dessa linda religião