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sábado, 7 de maio de 2011

Verdade ou mito?




Sérgio Maggio
Brasília está em boca de matildes. Mais do que nunca. Acabou de completar 51 anos com pompa de estrela, depois de sair de um escândalo monumental, transmitido para o mundo pelo YouTube e por todas as mídias sociais. Como toda celebridade polêmica, ela guarda verdades e mitos. Na última década, andei esticando os ouvidos e selecionei alguns deles.
O brasiliense não costuma dar bom-dia, é desconfiado e sisudo?
Essa é uma verdade, digamos, efêmera. Costuma durar até que o incomodado, com a aparente falta de cordialidade, comece a abrir a boca e soltar um sonoro bom-dia. Experimente embalar uma caminhada pelo Parque da Cidade e, a cada ser com quem cruza, solte em série uma sonora felicitação matinal. Fiz isso uma vez e, na segunda volta, já tinha gente respondendo antes mesmo de eu contrair o maxilar. Até uma vizinha sisuda, que costumava subir a escada cabisbaixa, não resistiu. Tempos depois, quando me via, não sei se por desespero ou naturalidade, já soltava aquele sorriso de propaganda de margarina.
Se você for ao bar sozinho, vai acabar a noite sozinho?
Verdade quase certa. Brasília é uma cidade que funciona em grupo. Amigos saem juntos porque se gostam, querem trocar figurinhas e fazer “downloads” das últimas novidades. Geralmente, o povo não olha para o lado. É claro que há exceções e depende muito do solitário em questão. Se for uma pessoa dada, pode muito bem esticar a cadeira e levar a cerveja para a animada mesa ao lado. No geral, quem vai só tem que estar preparado para protagonizar um monólogo de horas.
As amizades do recém-chegado a Brasília nascem no trabalho?
85% de verdade. Com exceção dos congressistas que chegam na terça e vão embora na quinta, o brasiliense passa horas no trabalho. Ali, divide e aprende a viver com a diversidade, já que é possível ter, num mesmo metro quadrado, um nascido em Cabrobó e outro em São Paulo. Depois de um dia, costumam até sair juntos para dividir uma pizza. Se você acha isso um mito, olhe melhor para o lado. O seu futuro melhor amigo pode estar no computador da direita.

Brasília é uma capital-província?
45% de mito; 55% de verdade. A capital do Brasil cresce vertiginosamente, já tem engarrafamento homérico na hora do almoço e entrou na rota dos shows internacionais, mas as cozinhas dos restaurantes fecham à meia-noite. Como uma cidade do interior, achar um lugar para comer na madrugada é uma tragicomédia. Por isso, amamos tanto os cachorros-quentes das entrequadras.
No DF, tem uma Cássia Eller e um Renato Russo em cada esquina?

Mito. Mas a verdade é que há artistas de carne e osso, de talento crescente. É uma cidade vocacionada para a cultura, não só pela concepção, mas por abrigar esse caldeirão de mistura de gente. Quem mora aqui não tem a expectativa de encontrar um gênio no bar da esquina, até porque o GDF está fechando todos os bares com música ao vivo.


2 comentários:

SheilaCampos disse...

Ahahahahahahahahahahahaha!!!

Serginho, amore, adorei a publicação! Super representativa da cidade!!! De fato, muitas amizades nascem no trabalho, outras, na Universidade (para quem tem o prazer de fazê-la aqui); há muitas, também, que vêm da infância de quem a passou em Brasília, e essas costumam ser as mais "fechadas" ao ingresso de "estranhos"! (Risos)

Na madrugada de Brasília não falta onde comer, como onde ficar! À exceção de alguns bares nada recomendáveis, não temos onde ficar papeando alegremente com os amigos!

E, se sair sozinho(a), pode até ser chamado(a) para uma mesa, mas apenas de for "figurinha fácil" e não tiver nenhuma polêmica com algum dos já instalados nela - o que é dificílimo na capital-cidadezinha de interior! (Risos)

Disso, pode-se depreender como é difícil a paquera em Brasília! Ahahahahahahahahaha! A maioria dos casais que conheço se formou no Beirute ou em alguma festchenha, quando todo mundo já estava beeem embriagado!

Beijo enorme pr'ocê!!!!!

Paula Barros disse...

Estive em Brasília em 2009 e tive uma experiência linda. Fui adotada por um casal que passava na rua e me deram um carona. Me levaram para a missa, para almoçar, e depois ainda me hospedaram por 4 dias. Algo inusitado e meio louco, tanto da parte deles com da minha. Ficou o carinho e a amizade.