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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Salve a sensibilidade!





Sérgio Maggio

Está um alvoroço, Brasília hoje. Não a capital do Brasil, uma das potências do mundo, dizem os economistas e líderes políticos. A Brasília que se debate em convulsão é da província, aquela que acredita que estamos ainda nos anos dourados de JK, onde o modelo de família, tradição e propriedade habita os tempos velados, aqueles em que se escondia a filha grávida nos quartos do fundos até parir o bebê indesejado. Ou, naquela outrora que se rompia a amizade com a vizinha que acabara de se desquitar.

Hoje, o Correio Braziliense, ao qual tenho o orgulho de trabalhar há 10 anos, estampou duas fotos de casais gays na capa para refletir de uma maneira respeitosa e honesta sobre a união homoafetiva, que entrou na pauta graças ao julgamento histórico do STF. Defensores da velha moral atiraram pedras na capa, como se reproduzissem nela o episódio de Madalena. Chamaram a primeira página de "nojenta" e "imoral" como se estivesse diante de uma prostituta bíblica. Clamaram por um nome de um Deus inquisidor, que julga e aponta com dedo em riste os impuros, exatamente como os romanos fizeram com os primeiros cristãos perseguidos a ferro e a fogo.

O julgamento ferrenho, no entanto, se contrapõe à entrada no novo estado de direito, no qual o cidadão não é mais desqualificado em ser o que é, em amar a quem é de direito. Nas novas mídias sociais, Twitter e Facebook, a reação foi inversa. Centenas de internautas aplaudiram a decisão de um jornal, com a importância histórica e o peso político do Correio Braziliense, em levar para a seleta primeira página, a realidade que está aí, na cidade sem esquinas, mais inventadas por gente que ama gente e beija-se apaixonada, buscando o direito primordial de ser feliz.

Salve a sensibilidade!






4 comentários:

Márcio Leal disse...

Parabéns, querido, bela reflexão nítida e sensata

Luiz Prisco disse...

Concordo com tudo o que você disse Maggio! Senti orgulho em trabalhar aqui e ainda mais de trabalhar com pessoas como você!
A sociedade evoluiu e o Correio Braziliense deu aula de jornalismo!

Geraldo Sobral disse...

Uma coisa é você aceitar a homossexualidade, outra coisa é você forçar a população acreditar que aquilo é certo. Isso é contra a natureza. Se é contra a natureza, é errado.

Sérgio Maggio disse...

E quem é Geraldo que pode dizer o que é a natureza. Até um tempo, mulheres, deficientes, negros e índios eram seres inferiores. Ainda bem que o Tempo é um Deus, um Senhor!