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terça-feira, 19 de abril de 2011

Nos braços de Eros



Para comemorar 25 anos de teatro, J. Abreu se desafia em monólogo que discute a relação entre arte e pornografia

Um homem engolfado por uma obsessão. Um pintor que não consegue vomitar uma imagem que o atormenta desde menino. Um artista acossado pela sociedade de dedos em riste. Andrei é o desafio que o ator J. Abreu encara ao completar 25 anos dedicados ao teatro. O personagem nasceu de um esboço de trabalho para pintura em acrílica de autoria do artista plástico de formação e ator de ofício. “A ideia surgiu quando o dramaturgo Sérgio Maggio ficou diante dessa obra inacabada. Ele ficou impressionado com a imagem e passou a divagar sobre esse homem”, lembra J. Abreu que, na época, em dezembro de 2007, assinava como Jones Schneider.

Quatro anos depois, a inquietação se ergue no palco em forma de espetáculo patrocinado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Eros impuro estreia no dia 28 de abril (quinta-feira) e segue temporada, de quinta a sábado, às 21h; domingo, às 20h, no Teatro Goldoni (Casa D´Itália), até 22 de maio. É a primeira vez que o ator, que participou de montagens marcantes do teatro brasileiro (a exemplo de Arlequim, Os demônios, Decamerão), fica sozinho no palco. “O monólogo é o meu presente-desafio neste um quarto de século. Resolvi quebrar fronteiras numa experiência que me permite acessar a pintura”, conta J. Abreu.

Com direção e texto de Sérgio Maggio (autor de Cabaré das Donzelas Inocentes), Eros Impuro transita pelos limites entre arte e pornografia. Em cena, J. Abreu pisa no palco cercado por equipe de artistas cênicos de primeira. A cenografia é de Carlos Chapéu (artista renomado na cena carioca que se apresenta ao mercado brasiliense); a luz, de Vinicius Ferreira (ator que se desponta como jovem criador cênico); o figurino, de Maria Carmen (uma das mais requisitadas nessa categoria); visagismo, de João Angelini (artista-revelação em arte e tecnologia); animação de Thiago Moysés (cineasta que teve longa na lista dos filmes indicados a representar o Brasil no Oscar); e trilha sonora do DJ Biondo (criador da festa Kinda). “Esse projeto, cuja direção proporcionou a criação compartilhada, permitiu que os artistas ajudassem a emoldurar essa narrativa no meu corpo de ator. Todos somos coautores”, observa J.Abreu.

EROS IMPURO - Direção e texto: Sérgio Maggio. Com J. Abreu. De quinta a sábado, às 21h; domingo, às 20h, no Teatro Goldoni (Casa D’Itália/ 208/209 Sul/3443-0606). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 16 anos.

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