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sábado, 23 de abril de 2011

Crítica// Savana Glacial

Espacialidade ajuda a escrever, no palco, dramaturgia fragmentada

Sérgio Maggio

Fui assistir à Savana Glacial, que passou numa temporada relâmpago no Teatro Oi Brasília, extremamente motivado para conhecer esse novo texto de Jô Bilac, não exatamente porque ele venceu o Shell 2010, mas, sobretudo, porque é um dramaturgo que me interessa por trabalhar em coletividade (ele esteve na primeira formação do http://dramadiario.com). Mesmo sabendo que o Grupo Físico de Teatro (RJ) desenvolveu o processo com o criador em sala de ensaio e o diretor Renato Carrera vem de experiências estéticas que admiro, como Tentativas contra a vida dela, de Felipe Vidal, a minha ida ao teatro estava embalada pela dramaturgia escrita.

Esse motivador inicial, no entanto, desfez-se diante da forte dramaturgia de cena com a qual o texto de Bilac é elaborado. Com alguns minutos de teatro, estava claro, para mim, que a construção da autoralidade estava partilhada. A ocupação geométrica do palco e o texto estilhaçado que saía da boca das personagens já criavam um potencial instigante para me manter aceso como um espectador que é convidado a entrar nesse labirinto cênico, montado por Renato Carrera.

A memória em estilhaços da personagem Meg, prosposta provavelmente na matriz escrita por Jô Bilac, ganha potencialidade na espacialidade com que a montagem é desenhada no palc
o, no corpo, na voz, nas velocidades dos atores. Basta segui-los no corpo/espaço para que não se perca da narrativa em pedaços. O que edifica a teatralidade dessa montagem de tal forma que é difícil dissociar os limites das contribuições do dramaturgo, dos atores, do diretor e dos artistas cênicos.

Ao final, Savana Glacial se estabele como um jogaço, daqueles em que o time funcionou como um organismo vivo, sem precisar das qualidades individuais de um ou outro atacante. Isso é a essencial do teatro que se desvela soberano do processo.


Em tempo, Savana Glacial está no Sesc Belenzinho até 5 de maio

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