Languages

terça-feira, 19 de abril de 2011

Bahia-DF-Brasília


Que estranho. Eu completo daqui a pouco 10 anos de Brasília. Há quem já me chame de brasiliense, candango. Acho precipitado absorver esses novos gentílicos. Porém, se tiver de aceitar um, prefiro o baiano-brasiliense. Eu emendei, confesso, os contornos exuberantes da minha terra natal, do meu cenário, da minha história e do meu berço com este quadradinho que aparece no mapa, designado por DF.
No meu território lúdico, eu fundi Brasília com Salvador. A Igreja do Bonfim com a Catedral, o terreiro de Mãe Stella com o de Ronaldo de Oxum, a Avenida Paralela com o Eixão, o pequi com o azeite de dendê.

Ponho para fritar no tacho quente de dendê, a beleza monumental de Niemeyer e essa mistura de traços físicos e sotaques que habita o DF. No recheio do meu acarajé, tem quibe do Beirute, a pizza da Dom Bosco e pastel da Rodoviária.

Explodi as fronteiras, desrespeitei os traços do urbanista e ultrapassei as determinações rígidas sobre as cidades tombadas pela Unesco. Meu Plano Piloto é fluxo líquido que escoa naturalmente. Vai até Nazaré das Farinhas, passa por Ceilândia, pelo Guará, por Taguatinga e desemboca nas águas doces e salgadas, onde se encontram o Lago Paranoá com a Baia de Todos os Santos.

Minha Bahia-Brasília-DF não tem muito monumentos. É feita de gente. Tantas ... tantas. Todas plurais, essenciais, vitais....

Ás vezes, posso tocar o céu com a mão e pôr os pés dentro desse mar-rio, que banha os meus lábios ressecados da seca vistosa de ipés multicores. Oxum e Dom Bosco comandam e consagram a minha cabeça, que se tornou palco de palavras-imagens. Ergo uma Bahia cada vez mais monumental e proclamo uma Brasília bem mais suburbana e negra. Aliás, troquei o Museu da República pelo Elevador Lacerda e a L2 pela Ladeira da Preguiça.

Tô assim virado pelo avesso nesses 51 anos dessa Brasília baiana que eu concebi bem aqui entre os meus olhos de menino curioso.

Para aquele que me
espia e me guarda sempre com olhos da cor do Lago.

Nenhum comentário: