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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Teses sobre a Mulher-Filé


Sérgio Maggio

Ontem, uma notícia correu a internet: “Bateram na cabeça da Mulher-Filé (personagem de Yani de Simone)”. Ela, em muita carne e pouco osso, contou detalhes da violência. Além da agressão física, roubaram o carro, celulares e cerca de R$ 1 mil. Lógico que o assunto, quando caiu na rede, virou piada pronta. Algo do tipo “Bandidos querem fazer bife da Mulher-Filé”. Em tempos de redes sociais. os risos se alastraram, no piscar dos olhos, e ganharam consequências incontroláveis. Mas bem na hora em que o politicamente correto já estava sepultado a sete palmos do chão, uma voz feminina ecoou:

— Não dá pra tripudiar. Ela é um ser humano, sente dor e se assusta. Desculpem, mas comentários assim me chocam.

A indignação que se levantou referia-se ao drama de Yani de Simone, de 21 anos, brasileira e vítima da violência urbana que macula os grandes centros. Quem pediu um basta sabe que, diariamente, alguma mulher é massacrada aqui, no Irã, na Europa branca e na África tribal. Gargalhar de uma ação de barbárie feminina reforça a coexistência do machismo em pleno século 21. Mas bem na hora em que o politicamente correto ressuscitou ao sétimo dia, outra voz feminina pondera:

— Mas ninguém está rindo do drama de Yani. Estamos brincando com a Mulher-Filé. As piadas, sim, têm tudo a ver com a forma como ela se coloca no mundo. Coisas totalmente diferentes.

A nova observação que surgiu aponta que entre Yani de Simone e a Mulher-Filé habitam preconceitos e consequências. Nesse caso, criadora e criatura se devoram. Uma, a que chora de dor e tem medo, pôs a outra na vitrine como uma mercadoria de sexshop. Assim, rir da Mulher-Filé poderia ser o escárnio a tudo de nefasto que a personagem representa.
Então pode-se rir da Mulher-Filé e ter piedade de Yani de Simone? Sim e não. As duas nesse momento são tão vítimas e culpadas por se manter no centro dessa pantomima midiática, que transforma mulheres em “frutas” para o consumo patético. Mas bem na hora em que o consenso se estabelece como um norte, uma voz de palhaço provoca:

— Gente, acabei de descobrir a existência da Mulher-Groselha.

* Artigo nascido de um post do Facebook.

2 comentários:

Paulo Sales disse...

Excelente, Serginho. Você está cada vez melhor.
Grande abraço.

Anônimo disse...

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