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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Rainha da música negra


Sérgio Maggio

Publicação: 14/02/2011 15:44 Atualização:

Zezé Motta bem que poderia ser a “pérola negra”, que, na década de 1970, explodia na voz apaixonada de Luiz Melodia. Quem sabe seria a musa que deixa o poeta Jards Macalé enlouquecido de desejo em Anjo exterminado. Uma das maiores intérpretes do país, Zezé, “a rainha negra do Brasil”, como define o DJ Zé Pedro, caminha, com a delicadeza de uma musa, entre o repertório de dois dos mais caros compositores do país. Em Negra melodia, que acaba de chegar às lojas, a cantora e atriz toma para si um repertório que lhe parece tão próprio quanto natural.

Parece que o disco foi feito para a voz de Zezé Motta, num diálogo perfeito entre 12 canções selecionadas (Andre Wanderley/Divulgação )
Parece que o disco foi feito para a voz de Zezé Motta, num diálogo perfeito entre 12 canções selecionadas
É assim ao ouvir, por exemplo, Divina criatura (Luiz Melodia e Papa Kid). Quando canta quase a capela, depois de um sambão de tambores, “afoxé, agogô, felicidade, amor”, Zezé Motta mostra a intimidade que tem com o artista homenageado. Recria sem trai-lo. Traz o universo de Luiz Melodia numa interpretação cheia de personalidade. Faz o mesmo com Jards Macalé.

Em 1978, Zezé Motta fez uma gravação belíssima de Magrelinha, que incluiu no mesmo disco com Dores de amores, com direito a belo dueto com o autor, e O morro não me engana. Todas de Melodia. Em Dengo, registra Sem essa, de Jards Macalé. A autoridade se impõe com naturalidade num disco que dispensa a gravação dos grandes sucessos de ambos. O que vem é um seleto grupo de canções, algumas bem invisíveis, ouvidas só pelos iniciados que se embebedavam pelos temas apontados como malditos. Soluços, de Jards Macalé, e Decisão, de Melodia, estão nesse campo.

A unidade estética de Negra melodia, que tem produção impecável de Thiago Marques Luiz, é impressionante. Parece que o disco foi feito para a voz de Zezé Motta, num diálogo perfeito entre 12 canções selecionadas. A pungente Soluços conversa simultaneamente com Anjo exterminado e Decisão. Com força na interpretação, Zezé Motta se diferencia num álbum de colorido pop e brasileiro, como em O sangue não nega (Luiz Melodia e Ricardo Augusto), recriando-se em cada faixa.

Oitavo disco de carreira, mantido em consonância com o trabalho de atriz, Negra melodia expõe as potencialidades de Zezé Motta, que canta em carne viva as composições de Melodia e Macalé, num álbum que abre bem os trabalhos do selo Joia Moderna, do DJ Zé Pedro: “Esse é um disco que Zezé Motta devia antes de mais nada a ela mesma. E, claro, também a nós, os seus ouvintes apaixonados”, observa o também diretor artístico do projeto.

NEGRA MELODIA
Oitavo disco de Zezé Motta. Gravadora Joia Moderna. Número de faixas: 12. Preço médio: R$ 22.

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