Languages

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Memória de Dulcina de Moraes pede socorro


Sérgio Maggio

A Fundação Brasileira de Teatro (FTB) guarda tesouro que ultrapassa o alcance da família Moraes. O acervo da atriz e diretora Dulcina de Moraes é de valor nacional. Sem condições de preservação e degenerando-se ao tempo, a história da Companhia Dulcina-Odilon, uma das principais do país na primeira metade do século 20, é metáfora de um país que desrespeita o seu passado. A gênese desse teatro de uma época, construído pelos braços e pelo suor da família Moraes, agora padece pelo descaso de uma falta de política pública que ampare a nossa memória cultural.


Por que o acervo de Dulcina de Moraes e de B. de Paiva (um ícone do teatro brasileiro) não é adquirido pela Funarte para a construção de museu que percorra a evolução das artes cênicas no país? Por que também o Teatro Dulcina de Moraes, com obra de Niemeyer, não sofre uma intervenção do Estado? Está lá a se degradar a olhos vistos. A Fundação Brasileira de Teatro por si é um bem imaterial. Criada em 1955, não só propôs de forma pedagógica o pensamento teatral no país, como teve em seus corredores grandes artífices tanto na condição de mestres (Cacilda Becker, Maria Jachinta, Madame Henriette Morineau), quanto de aprendizes (Rubens Corrêa, Suely Franco). Hoje, quantas pessoas que moram em Brasília sabem desse valor simbólico da FTB?


A grande dama Conchita de Moraes, que tem uma pequena sala de teatro no Conic, só não desapareceu completamente da história porque o mito Dulcina sobrevive. O Teatro Conchita de Moraes, talvez, reflita esse lado anacrônico do Brasil, que cresce economicamente e se empodera como potência mundial, mas continua maltratando a cultura nacional. Está lá abandonado com goteiras, cadeiras quebradas e uma dezena de ratazanas o visitando quando a noite cai.

Nenhum comentário: