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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Crítica // Banal, de Alessandra Colasanti

Foto André Mantelli


Fagulhas sensoriais

Sérgio Maggio


O teatro de Alesandra Colasanti é inquietante, fragmentado, performático, metalinguístico, híbrido, multifacetado de linguagens e ponto convergente para questões que a afetam como criadora. Tem tudo isso permeado por um humor cortante, irônico, singular e cheio de referências simultaneamente cults e pops. Banal, que eu vi na temporada de estreia no Teatro 1 do CCBB Brasília, sofistica essa experiência e põe o espectador dentro do turbilhão proposto pela diretora, dramaturga, atriz e performer.

Parte desse universo particular de Colasanti aparece, sobretudo, nos vídeos que cobrem toda a arena disposta para os intérpretes. Ali, há referências ao trabalho de A Bailarina de Vermelho, personagem genial, que dá nome a espetáculo homônimo e faz ferina crítica ao academicismo e ao pseudo intelectualismo, aquele que mais paralisa do que oxigena o debate. Essas imagens fazem também uma reflexão sobre o hermetismo da arte contemporânea (com referência a Século, um artista contemporâneo, que expõe na galeria de arte Museu Cubo Branco
), seara que interessa bastante a criadora como artista provocadora. Os vídeos, aliás, correm como um fluxo de narrativa paralela,e por vezes, independente, que pode ou não se entrecruzar com o que está sendo dito e proposto pelos intérpretes no território cênico.

Em cena, microfones e performers em pé (Carol Portes, Fabrício Belsoff, Fernanda Félix, João Velho e Thiare Maia
), como num stand-up comedy, falam de experiências aparentemente pessoais, que se embaralham ao curso da montagem, dando a forte impressão à fragilidade do discurso. O que é mentira ou verdade? Ou tudo pode estar misturado ao mesmo tempo numa mesma sentença? A violência cotidiana e banalizada permeia a dramaturgia que instiga o espectador a exarcebar a urgência da atenção, do detalhe, do mínimo, que se escondem no cotidiano massacrante não só das cidades, mas, sobretudo, das relações interpessoais.

Na temporada de Brasília, Alessandra Colasanti ficava à mesa, junto com a operação da luz, do vídeo e do som, e foi uma experiência à parte observá-la rindo e se deliciando do crescimento dos intérpretes a cada cena, fruto grandioso da força da efemeridade, algo que aliás o teatro sensorial proposto pela criadora acaricia tão bem.

BANAL

Local: Mezanino do Espaço SESC (Rua Domingo Ferreira, 160 - Copacabana. Tel.: 2547-0156). www.sescrio.org.br
Horários: quinta e domingo às 20h/ sexta e sábado às 21h30
Ingressos: R$16,00 / R$8,00 (estudantes e acima de 60 anos) e R$4,00 (comerciários)
Bilheteria: de terça a domingo a partir das 15h às 19h
Classificação: 14 anos
Duração: 90 minutos
Capacidade: 55 lugares
Temporada: 03 a 27 de fevereiro


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