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sábado, 2 de outubro de 2010

Jabutis

Escritores brasilienses em alta

Dos oito autores finalistas no Prêmio Jabuti, cinco foram premiados. Destaque para José Rezende Jr., primeiro colocado na categoria Contos e Crônicas

Nahima Maciel

Fotos: Ricardo Borba/CB/D.A Press - 5/2/00 / Claudia Ferrari/Divulgação / Carlos Vieira/CB/D.A Press - 24/3/06 / José Varella/CB/D.A Press - 3/8/09
Sérgio Maggio: “O prêmio é para essas mulheres consideradas escórias da sociedade”

José Rezende: “Eu já estava feliz por estar entre os 10 finalistas com tanta gente boa”

Reynaldo Jardim: “Eu merecia o primeiro lugar, merecia até o Prêmio Nobel”

Roger Mello: segundo lugar na categoria Infantil com Carvoeirinhos

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou ontem os vencedores das 21 categorias do 52º Prêmio Jabuti. Dos oito autores concorrentes e residentes em Brasília, a instituição escolheu premiar cinco.

Na categoria Contos e Crônicas, o jornalista José Rezende Jr. ficou em primeiro lugar com Eu perguntei ao velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor). O autor concorreu com nomes como Milton Hatoum, Nelson Motta e Moacyr Scliar, além de homenagens póstumas a Nelson Rodrigues e Manuel Bandeira. “Eu já estava feliz por estar entre os 10 finalistas com tanta gente boa. Puxa, meu livro tão fininho, feito com tanto carinho, vendido de mão em mão e difícil de encontrar… Fiquei feliz por esse reconhecimento”, diz Rezende, que considera Scliar o responsável por incentivá-lo a escrever literatura. “É meu mestre.” Eu perguntei ao velho… reúne 12 contos sobre histórias de amores e desamores.

O também jornalista Sérgio Maggio, subeditor do Diversão&Arte, ficou em terceiro lugar na categoria Reportagem com Conversas de cafetina. O leitor apaixonado, prazeres à luz do abajur, de Ruy Castro, e Olho por olho: livros secretos da ditadura, de Lucas Figueiredo, ganharam, respectivamente, primeiro e segundo lugar. Conversas de cafetina recupera a história de oito mulheres que comandavam casas de prostituição em Salvador nos anos 1990 e foi transformado na peça Cabaré das donzelas inocentes, com direção de Murilo Grossi, no ano passado. “É um prêmio inesperado e que coroa essas mulheres consideradas escórias da sociedade. O livro dá voz sem julgar para que elas contem suas histórias. O prêmio é para essas mulheres”, comemora Maggio. A peça ganhou este ano o Prêmio Miriam Muniz e vai itinerar por cinco capitais, além de ser uma das selecionadas para o Festival de Teatro de Vitória.

Na categoria Poesia, Reynaldo Jardim ficou em segundo lugar com Sangradas escrituras, uma compilação de 64 anos de trajetória reunida em 1.200 páginas de poemas. “Não me interessa esse segundo lugar, me interessa o primeiro. O prêmio já é uma droga em dinheiro”, lamenta o poeta paulistano, nome fundamental na poesia neoconcreta brasileira e residente em Brasília. Os ganhadores do primeiro lugar em cada categorias do Jabuti levam prêmio de R$ 3 mil. Aos segundos e terceiros lugares são concedidos apenas uma estatueta. “Eu merecia o primeiro lugar, merecia até o Prêmio Nobel. Não tem nada com mais criatividade na poesia brasileira”, garante o polêmico Jardim. Passageira em trânsito, de Marina Colasanti, ficou em primeiro lugar na categoria Poesia, e Lar, de Armando Freitas Filho, em terceiro.

Reunião de quase todas as obras do artista, Athos Bulcão ganhou o primeiro lugar na categoria Arquitetura, Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes. Organizado pela Fundação Athos Bulcão e com projeto gráfico de Paulo Humberto Ludovico de Almeida, o volume de 344 páginas traz fotos das centenas de painéis produzidos pelo artista e textos críticos que analisam a obra de Athos. O ilustrador Roger Mello também foi contemplado com o segundo lugar na categoria Infantil com Carvoeirinhos.

Na categoria Romance, o prêmio principal foi para Se eu fechar os olhos, de Edney Silvestre. Chico Buarque e seu Leite derramado e Luis Fernando Veríssimo e Os espiões ficaram em segundo e terceiro lugar. Estreante no romance e no Jabuti, Silvestre narra uma história policial na qual crianças encontram um corpo abandonado no meio do mato. Já o compositor e escritor Chico Buarque não é novato. Em 2004, ganhou o primeiro lugar com Budapeste. Além das premiações por categoria, a CBL elege o Livro do Ano de ficção e de não ficção, que será agraciado com R$ 30 mil e cujo anúncio está marcado para 4 de novembro, ao mesmo tempo em que acontece a cerimônia de premiação.

VOTE TAMBÉM
» Entre 5 e 31 de outubro está aberta a votação do prêmio “Voto Popular” ficção e “Voto Popular” não ficção. Qualquer pessoa pode votar no site www.premiojabuti.org.br. Concorrerão ao prêmio “Voto Popular” ficção os três vencedores das seguintes categorias: Romance; Contos e Crônicas; Poesia; Infantil; e Juvenil. Concorrerão ao prêmio “Voto Popular” não ficção os três vencedores das seguintes categorias: Teoria / Crítica Literária; Reportagem; Ciências Exatas, Tecnologia e Informática; Economia, Administração e Negócios; Direito; Biografia; Ciências Naturais e da Saúde; Ciências Humanas; Didático e Paradidático; Educação, Psicologia e Psicanálise; e Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes.

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