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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Oito autores de Brasília estão entre os finalistas do Prêmio Jabuti

Sérgio Maggio indicado com Conversas de Cafetinas à categoria melhor reportagem
Foto de Zuleika de Souza

Nahima Maciel

Brasília apareceu com destaque nas indicações para a 52ª edição do Prêmio Jabuti. Oito autores da cidade aparecem na lista de indicados. Distribuídos por diferentes categorias, eles representam a boa safra da literatura produzida em Brasília entre 2009 e este ano.


Nas categorias reportagem, poesia, arquitetura e urbanismo, fotografia, comunicação e artes são dois os indicados. Os poetas Anderson Braga-Horta e Reynaldo Jardim concorrem ao título de autores do melhor livro de poesia. Braga-Horta já foi indicado outras vezes e, em 2001, levou o prêmio por Fragmentos da paixão. Agora, concorre com Soneto antigo, uma reunião de versos escritos entre 1950 e 2000. "O soneto é uma das formas que mais aprecio, que mais gosto de ler e de escrever", revela. O poeta dividiu o livro de acordo com as influências às quais sucumbiu ao longo da vida. Parnasianismo, romantismo e simbolismo marcam alguns poemas. "A temática é muito variada e o estilo também. São poemas muito da fase inicial, pegando a adolescência mesmo, então a temática amorosa tem prevalência", avisa. Também é uma revisão da própria obra o livro de Reynaldo Jardim. Lançado em 2009, Sangradas escrituras reúne a obra completa do poeta. São 64 anos de trajetória e 1.200 páginas de versos produzidos até o ano 2000.

À categoria de melhor publicação de arquitetura e urbanismo, fotografia, comunicação e artes concorrem Maria Martins- Escultora dos Trópicos, de Graça Ramos, e Athos Bulcão, com projeto gráfico de Paulo Humberto Ludovico de Almeida e organização de Valéria Cabral, secretária executiva da Fundação Athos Bulcão. "Tem quase todas as obras de Athos. É um livro para facilitar a vida das pessoas que querem fazer pesquisa sobre arte", avisa Valéria. Além de imagens das obras do artista morto em julho de 2008, o livro traz uma fortuna crítica com nomes como Fernando Cocchiarale, Frederico Morais e Ítalo Campofiorito, textos de Paulo Sérgio Duarte e André Correa do Lago e uma entrevista com o arquiteto Lelé, para o qual Athos produziu diversos painéis. Em Maria Martins, Graça Ramos traça um perfil da escultora, única artista brasileira a integrar o grupo dos surrealistas na primeira metade do século 20. Imagens das obras mais importantes da artista - inclusive das peças que hoje repousam no Palácio da Alvorada e no Palácio do Itamaraty - complementam o perfil, que também pode ser lido como uma análise da trajetória de Maria.

O jornalista e subeditor do Diversão&Arte; Sérgio Maggio concorre na categoria reportagem. "Conversas de cafetina", lançado no ano passado e transformado em peça com direção de Murilo Grossi e William Ferreira, conta a história de oito cafetinas que mantiveram casas de prostituição na Ladeira da Montanha, em Salvador. O volume tomou forma como monografia de fim de curso no fim dos anos 1990 e ganhou tanto corpo que virou livro de reportagem. "Busquei fazer o livro no sentido de trabalhar uma reportagem com método mais sociológico", conta Maggio, que acompanhou e entrevistou as cafetinas durante um período de dois anos."O desafio foi, de dentro dessa subjetividade, captar o máximo possível dessa história e levar o leitor junto comigo para esse espaço proibido."

Na mesma categoria, concorrem "Olho por olho - Os livros secretos da ditadura", de Lucas Figueiredo, e "O leitor apaixonado - Prazeres à luz do abajur", de Ruy Castro. Ainda na mesma categoria está "Viagem ao Crepúsculo", resultado da experiência cubana de Samarone Lima de Oliveira. O autor é cearense radicado em Recife, mas a editora que publicou o livro - Casa das Musas - é brasiliense.

Contos Solitário como representante da capital na lista de contos e crônicas, José Rezende Jr. concorre com "Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor)", reunião de 12 contos perpassados pelo amor. "O livro trata de vários tipos de amores: amores violentos, amores perdidos, amores complicados. Aborda o amor como um sentimento que pega a gente e bagunça tudo", revela o autor, que divide a lista de indicação com Moacyr Scliar e seu Histórias que os jornais não contam. "A concorrência é dura. Estou competindo com meu mestre, que foi um grande empurrão para que eu começasse a escrever."
Já Roger Mello, ilustrador e autor de livros infantis, concorre com Carvoeirinhos na categoria infantil. O livro conta a história de um menino acostumado a fazer os próprios brinquedos. Quando criança, o autor ficava intrigado com os fornos utilizados na produção de ferro avistados da janela do carro durante viagens pelo interior de Goiás e da Bahia. "Era uma forma estranha, carregada de dor, mas bonita de uma certa maneira. A imagem ficou presente, e depois que entendi que essas formas, na base do ciclo de produção do ferro, ainda hoje envolvem trabalho escravo e exploração do trabalho infantil", conta. "Mas a ideia ficou sendo falar desse menino, que fabrica seu próprio brinquedo a partir da própria lenha que alimenta os fornos, sem que eu julgasse ou explicasse."

2 comentários:

Marta Senne disse...

parabéns, querido. Sucesso sempre

Tiara disse...

Lindooooooooooo