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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Fala,Guilherme Reis

Edílson Rodrigues/CB/D.A Press


O que o Cena trouxe do ponto de vista de intercâmbio cultural para Brasília?
Nós tínhamos três objetivos quando criamos o festival: inserir Brasília num circuito de festivais que nunca vinha para cá, criar uma via de mão dupla trazendo programadores de fora para conhecer a produção local e qualificar a produção. Nós não sabíamos qual era o nível do que era produzido aqui. Quando a gente confronta o artista com outras formas de produção, é sempre produtivo. Acho que estamos cumprindo maravilhosamente esses três objetivos até hoje. Agora já são gerações de artistas que viveram vários Cenas Contemporâneas e que tiveram um impulso do festival. Influencia, informa e oferece elementos para os profissionais da cidade amadureçam a produção brasiliense. Mas acho que ainda tem um caminho grande pela frente para que a gente possa apresentar uma programação irretocável, de altíssimo nível. Estamos próximos disso.

A carta de um anjo louco, de William Lopes, foi a maior surpresa deste ano?
Para a gente, não foi porque á sabíamos que o trabalho dele é bom para caramba. Era para ter acontecido essa performance no ano passado, mas não foi possível. É surpresa para o grande público, que, às vezes, não acompanha tudo. Eu não tinha dúvida que o William, o Entrepartidas (Teatro do Concreto) e o Cabaré das donzelas inocentes (direção Murilo Grossi e William Ferreira, texto de Sérgio Maggio) fariam sucesso. Repercute porque temos qualidade de trabalho. Temos excelentes profissionais na cidade. O que talvez ainda falte é uma vinculação até com a própria comunidade. Isso vai chegar com o tempo. É para quando a cidade criar tradição. Essa empatia e identificação de fazer a população dizer “são nossos artistas”, com a boca cheia de orgulho, é o que a gente está buscando, que a comunidade nos veja assim.

Como vocês estão lidando com as críticas e as sugestões recebidas por meio de redes sociais como Facebook e Twitter?
Pelo que a gente tem percebido, a maioria das pessoas só elogia. Em geral, o que está sendo gerado é alegria pelos espaços públicos estarem ocupados com cultura. As críticas são bem poucas e muito bem-vindas. Ajuda a gente a direcionar o trabalho. Alguns cobram de uma forma mais enfática e eu respondo com tranquilidade. A gente erra também. Em programação com mais de 30 montagens, não tem como não ter erros. Não tivemos espetáculo de grande impacto ou transformadores. Mas a média é muito boa. Teatro não é feito só de sucessos, mas de persistência.

Um comentário:

Tiara disse...

Parabéns pelo destaque no Cabaré