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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um show um tanto insosso


Foto de RenattodSousa

Sergio Maggio

A Band até que tentou dar um clima de show ao primeiro debate presidencial. Mostrou bastidores com a chegada dos presidenciáveis em helicópteros, fez um flashback de encontros históricos, mostrou alguns antigos barracos entre candidatos antológicos e pôs a música de abertura na batuta do maestro João Carlos Martins. No entanto, o confronto de ideias foi morno. Os políticos pareciam mais preocupados em traçar estratégias combinadas com as assessorias.

Nervosa, Dilma Rousseff, por exemplo, abusou do “nós” e do “nosso” para articular a sua imagem ao governo Lula, mesmo só citando o presidente a partir do terceiro bloco. Pouco objetiva, estourou tempo, esticou pausas e, por vezes, se esqueceu das câmeras, deixando de olhar para o “povo brasileiro”. “Foi pra lá, foi pra cá”, como definiu com precisão Plínio de Arruda Sampaio (PSol), que aproveitou o tempo que teve diante das câmeras para dizer aos eleitores. “Eu existo”, e “sou a divergência”.

Se Plínio foi incisivo em sua imagem forte, firme e irônica, José Serra (PSDB) manteve-se no tom de sempre, técnico, com pouco espaço para o humor, para a ironia nas deixas dos concorrentes, com a sensação de respostas prontas para as réplicas e as tréplicas. No contraponto, Marina Silva (PV), mais tranquila e leve, conseguiu misturar propostas com história pessoal, o seu trunfo para crescer na campanha. No geral, ficou a saudade dos debates de carne e osso, no qual os discursos prontos caem por terra e o eleitor pesca alguma brecha de espontaneidade.

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