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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Romances ao chão

Foto: Thiago Sabino

Crítica de Amor acéfalo/ Boca desgarrada, da Cia Subjétil (PR)

Por Sérgio Maggio

Toda vez que Paty ouve “eu te amo”, ela se desestrutura. Estatela-se no chão, em parte, pela banalidade com que a frase é dita e ecoada de relação em relação amorosa. Desmorona pelo vazio de significados que a expressão adquiriu em tempos de amor escorrido pelo vão dos minutos. Os fluxos de narrativa transpassam uns aos outros numa dramaturgia veloz, que se desmancha juntos a os romances. Rapidamente, os atores Rafael di Lari e Patrícia Cipriano montam e desmontam um mosaico de depoimentos, no qual atores e personagens mesclam-se numa mesma atitude performática. A de convidar o espectador a percorrer os rastros de amores vividos, ou não, por eles.

É nesse jogo que se estabelece o vigor para que a torrente de histórias se desenvolva quase que naturalmente, percorrendo o ritmo intermitente das narrativas. A direção, talvez, facilite desnecessariamente o entendimento do espectador ao criar espacialmente a percepção de que os dois atores inicialmente não falam de histórias comuns. Mas, ao longo da cena, trabalha uma movimentação, embora excessivamente marcada, mais apropriada à natureza do texto fragmentado e pouco desenhado. Mas é, sem dúvida, o trabalho dos atores/autores o coração da cena. É aí que Amor acéfalo/ Boca desgarrada encontra a sua verdade sem se perder ou trair, mesmo quando é imersa numa trilha sonora um tanto óbvia e uma passagem de dança, que soa descartável.

Um comentário:

Leandro Wirz disse...

Que texto bom o seu. Fiquei com vontade de assistir.