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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Planos difusos

Foto: Thiago Sabino


Crítica de Pronto para mudar, de Michelle Gonçalves, Mimi Bonnenfant e Priscila Jácomo, (SP)

Por Sérgio Maggio

A dramaturgia coletiva de Pronto para mudar é o trunfo e simultaneamente o risco da encenação da cena paulista. Misturando planos de realidade e de delírio, a narrativa se desenha ousada em campos difusos. Quando está no nível de uma possível situação trivial de venda de um imóvel, segue em velocidade capaz de arrastar o espectador junto com a atriz. Quando se alterna para um universo onírico, quase absurdo das personagens fantasmas, engasga numa construção de sentido oscilante.

A concepção da cena não consegue diferenciar nem harmonizar essas passagens, o que dá uma sensação de impotência no espectador ao tentar fruir junto com a cena. Com espécie de abismo estabelecido, a narrativa segue sem um diálogo possível entre esses planos, acentuando uma atmosfera nonsense um tanto artificial.

Com tons distantes, as atrizes parecem executar trabalhos totalmente díspares. Apesar do descompasso dramatúrgico entre texto e cena, Pronto para mudar tem uma concepção de cena orgânica, com bom domínio espacial e cenário narrativo. A participação do público, por exemplo, o que, em princípio poderia ser um caos, acaba por ser um dos momentos de respiro.

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