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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Para espairecer

Crítica/O ninja

julho 25, 2010

Foto: Thiago Sabino

Crítica de O ninja, de marco Davi R. L. de Lopes (DF)

Por Sérgio Maggio

O trabalho corporal de Marcos Davi é mesmo o centro dramático da cena O ninja. Desde o primeiro segundo em que ele surge no palco, fisga a atenção da plateia e estabelece o grande desafio. Segurar o fôlego do espectador dentro de uma linguagem extremamente complexa, que é a mímica dramática. De alguma forma, ele consegue o objetivo pela extrema habilidade técnica com que se movimenta, construindo os quadros dramatúrgicos. Dialogando com gags de clown e a remissão à estética dos quadrinhos, escreve visualmente, com o corpo, uma histórica nítida e de comunicação imediata com a platéia.

É exatamente neste ponto que Marcos Davi enfrenta a principal dificuldade. Superar uma dramaturgia extremamente óbvia, com reminiscências clássicas, como a do cachorro que se agarra a perna do ladrão. Sem a possibilidade de construir significados ou reflexões, a cena O ninja acaba por restringir a virtuose de Marcos Davi e a um esquete, sobretudo, cômico.

A cena se expõe ainda mais porque, imediatamente anterior, fora apresentada Duas palhaças e um pequeno príncipe que, numa simplicidade devastadora de gestos e palavras, estabeleceu uma reflexão crítica tão tocante sobre a existência humana que O ninja parece um belo e leve quadro para espairecer.

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