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quinta-feira, 4 de março de 2010

Amantes febris

Por Sérgio Maggio*

Venho aqui dar um testemunho. Vi explodir, sob o meu olhar embasbacado, o amor de Elisa Lucinda por Brasília, seu céu, sua Sampa. Estava bem perto dela naquele dia, quando as palavras saíam quentes de sua boca: Ela dizia:

- Desde a primeira vez, cheguei plebeia e saí daqui rainha. Você é uma gracinha, foi logo me premiando de estreia!

Foi amor à primeira vista, ou melhor, a perder de vista. Elisa Lucinda chegou aqui menina-atriz cheia de sonhos e saiu com a honraria de ganhar o cobiçado troféu Candango de intérprete no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o mais importante do país. Foi aí que começou o namoro entre a dama fogosa e a cidade-monumental, que não resistiu aos encantos desta mulher da cor do Brasil.

Elisa ardeu de desejos por Brasília com o calor febril dos amantes. Eles se deitaram sob esse céu onde não cabem mais adjetivos. Percorreram juntos às “esquinas imaginárias do corpo”. Lembro de ouvi-la gritar, em voz embargada pelo gozo:

- Vou te falar bem ao pé do ouvido, meu gostoso: o que me enlouquece é esse seu mato candango.

Uma paixão seguida em dias corridos, espalhada ao mundo numa poemação sem fim. Sob este céu sem adjetivos como testemunha, a musa e o amante casam-se hoje, dia 4 de março de 2010, nesta cerimônia. E se há alguém aqui, neste templo magnífico do teatro, que tenha algo a declarar contra esta união que fale agora ou cale-se para sempre. Pois Elisa Lucinda, a partir de hoje, é tão candanga quanto capixaba. Tão baiana-carioca quanto brasiliense. Tão mais brasileira quanto Brasília.


Axé!

Para Elisa Lucinda, que hoje (quinta, 4 de março) receberá, às 20h, no Teatro dos Bancários, o título de Cidadã Honorária de Brasília. Esta crônica será lida por mim logo mais à noite. De amanhã (sexta, 5 de março) a domingo, a atriz segue com o monólogo PAREM DE FALAR MAL DA ROTINA.

Programe-se: 5 e 6 de março, às 21h, e 7 de março, às 20h, no Teatro dos Bancários (314/315 Sul), monólogo de Elisa Lucinda com assistência de direção de Geovana Pires. Ingressos: R$ 50 e R$ 25 (meia). Não recomendado para menores de 12 anos.

Um comentário:

Manu Maia disse...

Lindo mesmo, bela homenagem a uma as mais brilhantes brasileira. Filha das águas