Languages

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Oitentinhas


-->Sérgio Maggio



Assim que saiu do hospital, a apresentadora Hebe Camargo encheu os telejornais de vida e determinou diante da luta contra o câncer:

— Quero chegar bem aos 100 anos!

Felizmente, o desejo de Hebe não é uma piada. As mulheres estão em plenitude, conseguindo viver mais, em que pesem o risco da secular e brutal violência masculina e a dupla jornada de trabalhadora remunerada e dona de casa. Hebe atingiu os 80 como todo mundo sabe: cheia de sonhos.

No país, as oitentinhas mais famosas deixam a gente boquiaberta com a mescla de maturidade, inteligência, beleza e determinação. Só no teatro, cinema e televisão, temos algumas deslumbrantes. Fernanda Montenegro, Nathália Timberg, Tônia Carrero, Bibi Ferreira e Laura Cardoso, por exemplo. Todas grandes damas oriundas dos palcos. Cleyde Yáconis, daquelas intérpretes de arrepiar a alma do espectador, enfrenta o ritmo industrial das novelas ainda neste ano, como uma das estrelas de Passione, próxima trama das nove, de Silvio de Abreu.

Há ainda a crítica teatral Bárbara Heliodora. Com o olhar afiado e a memória do teatro brasileiro na cabeça, ela é capaz de acionar os neurônios em segundos para falar dessa maravilha que é a saga das artes cênicas no país. E o que dizer de Angela Maria, nossa Sapoti. Vi uma entrevista dela no Sem censura, da sessentinha Leda Nagle, e fiquei extasiado. Ao falar por que o povo pede tanto para cantar Babalu, ela respondeu de pronto.


— É uma música muito difícil de cantar. Querem saber se ainda dou conta, gargalha.

Na minha vida, tem uma oitentinha, dona Ester, minha mãe, que parece descobrir o mundo novo a cada dia. Espoleta, divide o tempo na arte de administrar o reinado matriarcal, tão típico do Nordeste. Fora isso, sempre que pode corre ao médico. Se aparece uma verruga, marca um dermatologista. Se surge uma dorzinha qualquer, corre ao clínico. O cuidado com a saúde parece ser o segredo das mulheres que brilham aos 80. Não à toa, uma campanha do Ministério da Saúde alerta: “Os homens brasileiros morrem mais cedo e as mulheres vivem sete anos a mais”. Vamos aprender com elas.

Este artigo é dedicado a Marie Carida Roman, haitiana de 84 anos, que foi retirada dos escombros 10 dias depois do terremoto. --> --> --> --> -->

Um comentário:

Saionara Xistos disse...

Oitentinhas, maravilhosas, vinda longa a quem tem o que fazer aqui.