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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A sacola mágica de Rose Costa


Por Sérgio Maggio
sergiomg.df@dabr.com.br

“Tem gente que é pequenina. Outras grandes que não param de crescer;

Tenho amigas que são bem gordinhas, mas que viram cambalhotas e são bonitas demais.

Tem também aquelas muito magras. Nem por isso deixam a vida para trás.

Tem cabelos de todos os tipos, isso é o que fica mais bonito. Pois, no mundo, diferentes somos todos nós.

Tem quem ouve pouco e não importa, outros que não ouvem nada não.

Quem não vê com os olhos o arco-íris, pois o arco-íris vive dentro do coração.”

Esse cordel salta de sacola mágica toda feita de chita colorida e estampada. À frente, tem uma bolsa com bonecos de pano que ganham vida nos dedos de quem conta a história. Lá dentro, fica guardado o livro Gente diferente e interessante, sobre um gato preto e o cachorro branco que achavam chatos ser monocromáticos. Quem narra essa fábula é tia Aurora, uma nordestina arretada, inspirada em dona Maria de Lourdes, mulher guerreira lá de Brejo, cidade maranhense. Quem a conheceu sabe que a senhora de carne e osso aglomerava gente em torno de si para ouvir fábulas fantásticas.

— Quando ela viajava, ficava todo mundo contando os dias para voltar. Todos queriam saber que história nova ela contaria, lembra Rose Costa, menina que ficava boba com a capacidade da mãe em pôr a fantasia na cabeça tanto de adultos quanto de crianças.

Arte-educadora, atriz e vice-diretora da Escola Parque da 313 Sul, Rose Costa carrega algumas dezenas dessas sacolas mágicas pelas andanças no DF. Totalmente feitas pelas mãos da artista, essa pérola é de encher os olhos. Sempre que ela puxa uma e mostra em público é aquele alvoroço. De tão delicada e singela, a joia é ofertada em palestras, livrarias e até aniversários. Não há quem ao menos não deseje embarcar nessa viagem lúdica.

— Eu faço tudo. Desenho e monto os dedoches (fantoches de dedo), confecciono a sacolinha. Foi uma forma que encontrei de atrair a leitura do livro, cuja editora não tem um departamento de divulgação, conta Rose.

No livro de Rose, tia Aurora narra, em prosa e cordel, as histórias para duas garotas alegres, que cresciam livres e cheias de imaginação, assim como era a autora quando criança.

— A minha infância foi vivenciada em meio a brincadeiras, histórias, bonecas de pano, cheiro de mato e de café.

Foi com esse sentimento que Rose Costa resolveu escrever essa história do cachorro branco e do gato preto. Ela quis preparar os alunos para a chegada de coleguinhas “especiais”. Queria que os meninos e meninas recebessem esse estudante compreendendo a complexidade e a diversidade do ser humano. A nobre intenção se fez realidade e ainda veio embalada de arte.

Um comentário:

Manoela Reis disse...

Quero uma sacola desta, linda