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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A escola que eu quero


Por Sérgio Maggio
sergiomg.df@dabr.com.br

Encontrei uma cartolina azul. O cartaz tem uma letrinha caprichosamente redondinha, desenhada de caneta tipo hidrocor, na cor marinho, com 10 desejos escritos para o tema A escola que eu quero. Embaixo, há a assinatura coletiva da 5ª C. Li sem parar, por incontáveis vezes , e a cada leitura me emocionava mais. Antes de transcrevê-los aqui, neste espaço, desejei fortemente que um dos leitores dessa crônica fosse a deputada distrital Eurides Brito, que ergueu a sua plataforma política em cima do nobre discurso da educação pública. Não sei se ela está, no meio desse turbilhão de denúncias de corrupção e vídeos comprometedores, tendo tempo para ler algo que não sejam as acusações da Operação Caixa de Pandora. Mas de qualquer forma vou arriscar. Quem sabe ela possa entrar em contato com algo tão genuíno como o que está escrito nesta cartolina azul.

Não quero com isso julgar, antes da Corte, a parlamentar Eurides Brito, que aparece trancando a porta do gabinete antes de colocar o maço de dinheiro na bolsa preta. Aliás, esse simples ato de prevenção, de girar a chave, para que ninguém entre e veja o embolso, é talvez o que tenha de mais violento nessa sequência de imagens. É como se ficassem do lado de fora todos os professores, alunos, diretores e serventes, que, naquela hora, fossem buscar da distrital uma ajuda para a escola pública do DF, que padece de toda ordem de problemas, do simples ao mais complexo. Alguns poderiam ser resolvidos com um terço daquele maço de dinheiro esquisito. Outros com a vontade de lutar no plenário por melhorias para os que fazem a educação neste país.

É duro acreditar que alguém eleito com o discurso em prol da educação pública possa trancar a porta e embolsar um maço de dinheiro esquisito. Nessa hora, a gente pensa nos professores que se desafiam em sala de aula para tirar alguns alunos da rota do crime e da marginalidade. Lembra também dos alunos ameaçados na própria escola pela inexplicável formação de gangues, que espalham medo e drogas. Dos servidores que zelam pelo patrimônio público, quando o vandalismo parece ser imponderável. Daqueles que ainda acreditam na educação como uma tábua de salvação para um país ainda tão desigual.

Enquanto não se faz o julgamento da justiça dos homens, seguem, abaixo, os desejos da cartolina A escola que eu quero:

1) De qualidade e sem violência.
2 )Boa para estudar.
3) Com mais segurança.
4) Com alunos cujo objetivo é só estudar.
5) Com ar-condicionado.
6) Com lanche delicioso.
7) Com direção mais legal.
8) Sem grades, que nos deixem livres.
9) Com mais variedades de lanches.
10) Com menos índices de reprovação.

5ª C.

2 comentários:

Santa Clara disse...

Lindo, esses políticos deveriam ter vergonha de olhar na cara da gente

Anamaria disse...

Adorei o "boa para estudar", os "lanches deliciosos" e a escola sem grades. Esses meninos sabem tudo.