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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Trecho de O Cabaré das Donzelas Inocentes




CHINA (fala ao pé de ouvido de Minininha) – O tempo foi cruel com Cabeluda. Chegou aqui e era uma princesa. A mulher mais linda que já passou pelo meu salão.



MINININHA– Teve homem que quis tirar ela daqui pra casar.



CHINA– Lembro, o jornalista.



MINININHA– O que chamava a xana dela de barbudinho.



CHINA (rindo) – Ela é doida, nunca foi feita pro altar. Queria putaria em alto risco. Vou te contar um episódio que guardei todo esse tempo em segredo. Um dia, ela saiu daqui, na surdina, com homem que não conhecia. Você sabe a minha regra número um: menina minha só faz programa dentro do castelo. Cabeluda, desobediente, pegou o carro do sujeito, bem aqui na porta. Ele a levou pro apartamento. Sem ela saber de nada, tinham uns cinco homens esperando. Fizeram o miserê com a coitada. Depois, largaram, nua, surrada, devastada, no matagal. Fui buscá-la no hospital. Disposta a despachar de volta pra casa. Quando vi o quadro, me banhei de pena. Levei lá pra casa, ficou umas semanas amoada, de bicão no quarto, porque não deixei voltar ao castelo.



MINININHA– Você e o seu coração mole...Caboclo Mamãe...



CHINA– Perdoei, e ainda ajudei ela a dar a lição nos bandidos, uma meninada que andava repetindo na zona a mesma bagaceira com outras mulheres. Chamamos Cleidinha, uma mulata muito da bunduda lá do castelo de Zefão, e botamos de isca. O otário pegou e levou pro apartamento. Juntei uns sete cabras, invadimos e aí tocamos o terror. Cabeluda fez questão de ir e acertou um por um. Saímos de lá, e os homens resolveram fazer rodízio com os malditos.

2 comentários:

Janaina Goulart disse...

Adorei, esse trecho, quero ver tudo

Márciah Reginna disse...

poste algumas falas da saina, sao incriveis.