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domingo, 15 de novembro de 2009

Crítica do Cabaré no site Dia de Folga

Conheça o Cabaré das Donzelas Inocentes
Publicado em 14/11/2009, em livros e artes.
Por Lu Monte

Estreou ontem no CCBB de Brasília o espetáculo Cabaré das Donzelas Inocentes. Baseada no livro Conversas de Cafetinas, de Sérgio Maggio – que, por sua vez, escreveu-o a partir de depoimentos – e maravilhosamente interpretada, a peça é sensacional.
A plateia é surpreendida já ao chegar ao CCBB. Ao invés de dirigir-se ao teatro, é convidada por um luminoso para uma entradinha lateral que deságua num salão – o salão do cabaré. Procure chegar cedo (uns 20 minutos antes da hora marcada) e se acomode em um dos pufes. Sim, pufes. Garanto que são confortáveis. Enquanto o espetáculo não começa, observe o cenário – você estará praticamente dentro dele.

Então começa a história. China é a dona do puteiro decadente onde trabalham Minininha, Cabeluda e Saiana. Você conhecerá suas histórias, dores, amores, decepções e convicções – aliás, Saiana é "a puta mais convicta que já passou por esse salão", nos dizeres de China. A peça tem palavrões, sim, vários deles. Afinal, você está diante do cotidiano de quatro prostitutas que não fazem a menor questão de se comportarem como damas na sala.

As histórias dessas mulheres emocionam, provocam e fazem rir, ainda mais quando se sabe que simbolizam pessoas reais. A proximidade entre o público e as atrizes torna as cenas ainda mais impactantes. As atuações, aliás, são de uma intensidade e de uma entrega tremendas.

Num tempo de Genis de carne e osso, de violência dirigida a quem usa roupa curta, de abuso contra quem tem por emprego vestir-se de coelhinha da playboy, numa época em que as próprias mulheres cometem a infâmia de dizer "ela mereceu" e em que jovens acham natural bater numa mulher porque pensaram que era prostituta, Cabaré das Donzelas Inocentes vem lembrar que seres humanos são muito mais que uma profissão ou um traje. Ao fim e ao cabo, as prostitutas encenadas são simplesmente mulheres.

Sobre mulheres, seu valor intrínseco, o valor que a sociedade lhes dá e seu direito à liberdade de fazer o que lhes der na telha, sugiro a leitura de Damas do dia, damas da noite e Piriguete Pride, dois textos curtos e diretos. Quanto ao livro que inspirou a peça, já vou atrás dele, certa de que vale a leitura.

Ficha e Serviço
Direção: Murilo Grossi e William Ferreira
Roteiro: Sérgio Maggio
Elenco: Bidô Galvão, Catarina Accioly, Adriana Lodi e Carmem Moretszhon
Ingresso: 15 reais (R$7,50 a meia entrada)
Classificação etária: 16 anos

Horário: de quinta a sábado às 21 horas; domingo às 20 horas. Até dia 6 de dezembro.


Em tempo: a sala (novo espaço do CCBB de Brasília, inaugurado com esta peça) tem capacidade para somente 100 pessoas , portanto convém garantir a entrada antecipadamente. Os ingressos começam a ser vendidos no domingo que antecede o espetáculo, na bilheteria do CCBB, das 9h às 21h (não abre às segundas-feiras).

http://diadefolga.com

Um comentário:

Janaina Goulart disse...

Viva a necessida urgente da crítica. Viva aos blogs