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terça-feira, 8 de setembro de 2009

O mentiroso

Uma lembrança do passsado, os cubos de Athos Bulcão


Autor(es): Sergio Maggio
Correio Braziliense - 12/06/2009


Como diria a minha mãe, “estou com as mãos na cabeça”, de tanta preocupação. Recebi um e-mail de amiga, grande atriz e diretora do teatro paulista, avisando que, na próxima semana, vem a Brasília. Aproveitará as férias de dias para conferir “as maravilhas que você me falou da nossa capital”.

— Agora, quero que você, Sérgio, reserve um tempo para me levar naqueles lugares fantásticos, escreveu no e-mail.

Você sabe que lugares são esses? Como diria a minha mãe, “estou com a cara no chão”. O primeiro deles: o Teatro Nacional Claudio Santoro. Contei do meu êxtase ao passar de carro pela Esplanada e olhar para os cubos de Athos Bulcão.

— Ah, quero muito ver do seu automóvel a parede do nosso teatro maior.

Fui correndo ontem, na esperança de encontrar algum movimento de restauração. E nada. Nem um andaime sequer. Não há reposição da obra de Athos à vista. O segundo endereço é o Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul. Lembro de ter falado dos tempos áureos do Teatro Galpão. Contei que agora o local multiuso reunia oficinas diversas e movimentava público jovem.

— Quero passar uma tarde na 508 Sul. Estou curiosa para assistir às performances juvenis e vigorosas.

Liguei para uma amiga que vive por ali.

— Pelo amor de Deus, não apareça por lá. Está um caos. Salas com goteiras e um desânimo nas atividades…

Como diria a minha mãe, “estou de mãos atadas”.

— Ah, não esqueça de me levar na Oficina do Perdiz.

Rumei para a 708 Norte e José Perdiz aguarda sem fim a decisão do governo de construir um outro espaço.

— Aqui, não está tendo teatro. Veja só a bagunça. Diante dos ferros retorcidos sobre a arquibancada, tomei uma decisão.

Mandei um torpedo seco:

— Adie a viagem. Não estarei em Brasília nesse período.

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