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sábado, 16 de maio de 2009

A gargalhada de Teuda Bara



Fotos de Tainá Azeredo e texto de Sérgio Maggio

Há certamente muitos momentos para levar da IV Mostra Latinoamericana de Teatro de Grupo. Um deles, em especial, deve ecoar afetivamente pela memória dos participantes: a gargalhada da atriz Teuda Bara, do Grupo Galpão (MG). Onipresente nos espetáculos e demonstrações de trabalhos, ela dobrou-se de rir diante das cenas mais engraçadas, silenciou-se nas tocantes e emocionou-se publicamente naquela que atravessou o seu corpo de artista e mulher (a DT e a montagem do Yuyachkani/Peru).

Como se tivesse inspirado nesse espírito generoso da atriz, o Grupo Galpão compartilhou com o público o trabalho de criação de Till Eulenspiegel. Com nítido tesão em voltar à gênese de criação para a rua (“são 12 anos que não fazem um espetáculo para essa linguagem”, explica o diretor Júlio Maciel), os atores ocuparam visceralmente o espaço cênico. Mesmo em palco italiano, o que se viu no Centro Cultural São Paulo é um pedaço que estar por vim, com energia que rememora as doces reminiscências de Romeu e Julieta e Moliére imaginário.

O texto de Luis Alberto de Abreu (encenado há oito anos pela Fraternal Companhia) está com a pegada veloz do Galpão. Testado com a plateia da Mostra, os 50 minutos demonstrados têm organicidade e são conduzidos por dramaturgia levada por múltiplos e autonarradores. Há cena que é ponto alto dessa materialidade ainda em construção: a sequência do nascimento do personagem, protagonizada por Teuda Bara e Inês Pedrosa, esta aliás conduz um Till cheio de sutilezas.

Algo que talvez possa ser mais trabalhado é a chave cômica e orgânica entre o trio de cegos, composto por fortes contradições. Esse material parece estar subestimado diante da potência dramatúrgica que carrega. Ainda em fase de domínio das partituras musicais, o grupo mostrou como integra a música às ações cênicas. O maior presente dessa apreciação do processo de Till Eulenspiegel. Vibrante em seu instrumento, cada um dos atores pontua à montagem que nasce em sala de ensaio com mais um provável espetáculo que reitera o Galpão como um patrimônio do Brasil e da América Latina, para situá-lo no território da Mostra. Nesse instante que sejamos generosos e evoquemos em nós a gargalhada cheia de vida de Teuda Bara.

Um comentário:

Santana disse...

AMo O galpão, amo o teatro vivo do galpão. Obrigado pelo texto