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terça-feira, 14 de abril de 2009

Para captar a alma de Brasília

Toda vez que passo pela Torre de TV olho aquele relógio que marca os dias para a chegada dos 50 anos da fundação de Brasília. Quase um ano voou de tantas idas e vindas em direção à Esplanada e o esperado meio século parece se estabelecer como realidade concreta. É um tempo considerável para fincar identidade cultural numa cidade vista com desconfiança por milhões de brasileiros.
— Brasília, a casa da mentira, disse uma artista que recentemente visitou a cidade.
Muita gente que vive e habita o DF também só acredita na terra que floresce escândalos, transações e acordos escusos. Para elas, o território cultural é seco. Não há criação feita e brotada aqui que vingue. E uma cidade sem arte não tem alma. Para quem ainda pensa assim, vamos apresentar apenas alguns dos nossos “brasilienses” residentes, que emocionam gente em todos os cantos do planeta.

Rosa Passos é uma das cantoras mais cultuadas na Europa e Japão.

Hamilton de Holanda, ás do bandolim, é referência instrumental na França, no mundo.

Hugo Rodas é um dos diretores mais requisitados no eixo Rio-São Paulo.

Adriano e Fernando Guimarães, indicados ao Prêmio Shell, têm trabalho reconhecido Brasil afora.

Circo Teatro Udigrudi ganha os continentes com espetáculos contundentes como Ovo.

Cia. de Comédia Melhores do Mundo põe o país para rir.

O rapper Gog é um dos mais importantes do movimento hip-hop do Brasil.

Roberto Corrêa colocou a viola nas salas de concertos.

José Eduardo Belmonte é apontado como sangue novo no cinema nacional.

Móveis Coloniais de Acaju é tida como banda revelação do pop rock nacional.

baSiraH é uma das companhias que renovam a dança contemporânea brasileira.

Batalá sacode as metrópoles com batida feminina, pulsante e criativa.

Maura Baiocchi mistura teatro e dança em montagens cultuadas em São Paulo.

Patubatê cria instrumentos insólitos e ganha o mercado estrangeiro.

Nicolas Behr está entre os poetas mais brilhantes do Brasil.

Seu Estrelo Fuá do Terreiro renova a cultura popular.

Milton Marques é requisitado nas principais bienais de arte.
Imagine só reunir essa turma toda, na Esplanada, em 21 de abril, aniversário da cidade?

Artigo de Sérgio Maggio, publicado hoje na página de Opinião//Correio Braziliense

Um comentário:

Mosaico disse...

Lindo, inteligente e revoltante