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terça-feira, 21 de abril de 2009

O amor de Elisa


MINHA SAMPA


Ô cidade encantada cujo céu me atravessa,

que mais pretendes me dar?

que mais queres que eu te peça?

Brasília, escuto teu onírico batimento namoro a tua gente.

Quase tudo em ti de nós é amizade ou flerte,

beijos, beirutes conversas,

cartas, bilhetes, ideias,

projetos, bauretes, banquetes.

Anedotas, chacotas, lorotas,

aquilo que germinas, aquilo que brotas e podes e podas,

aquilo que crias, aquilo que mudas, aquilo que modas,

teus índios pensamentos, unguentos, Chakora tua arte,

teu Hugo rodas!

Ô cidade encantada cujo céu me preserva,

que mais de mim queres? Me peça.

Que mais a ti direi?

Me espera. Brasília,

meu olhos são o verde teu, tua reserva.

Cativo e cultivo tua gente que tanto me seduz,

e todo nosso amor é orgânico, não conserva, é eterno e conduz.

Superquadras, satélites, poderes,

parlamentos, palavras, paladares, dizeres.

Flores, cerrados, amanheceres.

Tudo que frequento e que eu sempre penso:

Pobrezas, contradições, riquezas,

prêmios, surpresas, delicadezas, prazeres.

Ô cidade danada, no tumulto da definição,

escrevo sob o silêncio limpo de tua paisagem,

no profundo modo de tu seres,

e o que seriam meros versos são

aqui e agora, pequenos agradeceres.

Ô cidade encantada, cujo firmamento me pega pela mão,

é bom saberes, te amo como uma namorada,

te amo como se tu fosses meu varão.

Então, que mais queres que eu te dê,

aonde mais queres que eu a ti outra vez me declare, tesão?

Aonde queres que eu te adule, cheire, mature, emoção? Hein?

Responda em meus ouvidos, capital sensacional da nação?

Candangos, matizes, chiliques,

gente chique e simples de um certo sertão.

Do jeito que estou e sou e vou,

perdoo-te até pecados perdizes, enganos, deslizes.

Olha pra mim, não sou só bonita, como tu dizes,

sou dos honestos daqui, sou daqui então.

Trago promessas e inícios,

aceito nossos vícios

pertenço às estrofes do Vinicius,

quero dizer, sou da tribo da diplomacia coração;

sou da cavalaria de Jorge, sou daqueles do porvir,

dos que desprezam tua corrupção.

Ô cidade encantada cujo céu me reveza na amplidão,

te quero, não digo mais nada.

Alguma coisa acontece no meu coração.


Elisa Lucinda



Bsb, verão sem vento, 2009

4 comentários:

Katia Santos disse...

Linda, eu emocionado, aos prantos

Carlos Meyer disse...

Que sensibilidade a de Elisa Lucinda ao apreender Brasília, vista por muitos com a sede dos podres poderes, na forma de uma varão, amante de todas as horas. Linda

Cauê disse...

Elisa, obrigado por tirar Brasília dessa lama política

Adriana de Andrade disse...

Salve ELisa