Languages

domingo, 26 de abril de 2009

Maturidade no palco

Sérgio Sartório é um matador de aluguel: ética



André Reis, Chico Sant´Anna e Sérgio Sartório em Cru: ninguém engole ninguém


Andre Reis vive a forte personagem Frutinha
Fotos: Betto Guaraciaba/Divulgação

Em cartaz até o primeiro fim de semana de maio, no Teatro Goldoni (210 Asa Sul/Brasília), o espetáculo Cru, texto inédito de Alexandre Ribondi, é um contundente exercício teatral sobre os limites da condição humana. Três personagens num açougue-bar pé sujo fazem uma espécie de acerto de contas, onde o que menos vale é a vida humana. Um maço de dinheiro em troco de uma existência que incomoda revela o submundo do crime encomendado.
O autor e também diretor Alexandre Ribondi põe as razões na roda, mas mantém firme a ética do texto (o matador se recusa a eliminar freiras estrangeiras e defensores do meio ambiente, numa clara menção a dois assassinatos de encomenda que abalaram o Brasil).
Com atuações marcantes de Chico Sant´Anna, André Reis e Sérgio Sartório (todos têm grandes personagens e ninguém engole ninguém em cena), Cru se constrói aos poucos na cabeça do espectador que acompanha a angústia desse acerto de contas, revelado em fatos brutais sobre a constituição familiar dos personagens.
No tempo certo, a montagem executa-se deixando a plateia perplexa e pensativa sobre as causas que deformam o ser humano
. Isso sem nenhuma apologia a esse ou aquele personagem. Ribondi deixa que o espectador fique livre para, se assim desejar, exercer o exercício espinhoso do julgamento.

4 comentários:

Stella Braga disse...

Espero que este espetáculo corra o país, fiquei curiosa.

Celso Faria disse...

Serginho, te vi ontem no JÔ Soares. Super bacana, parabéns! Sucesso com seu livro!

Marina Gregorutti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marina Gregorutti disse...

Perturbador... Não foi fácil digeri-lo. Tudo casou, mas a atuação do Sérgio Sartório deixou-me de cabelo em pé!