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sexta-feira, 24 de abril de 2009

A dama e os guerreiros



Nunca vi Dulcina de Moraes. Vibrante em carne-e-osso, com gestos largos e teatrais. Quando ela morreu, em agosto de 1996, lembro de ter visto, lá de Salvador, num telejornal, uma reportagem de um minuto. Sabia um pouco daquela mulher, porque um professor de teatro falava do seu "tempo mais-que-perfeito de humor". Quando cheguei a Brasília, em julho de 2001, um dos primeiros lugares que quis conhecer foi a Fundação Brasileira de Teatro (FBT). Cheguei ao Conic e fiquei, alguns minutos, diante uma fotografia de Dulcina de Moraes, com seus olhos esbugalhados, fitando os meus, curiosos, querendo ser devorado por sua história.



Levei aquela imagem comigo. Li, pesquisei, conversei e remexi na trajetória de Dulcina de Moraes. A cada vez que me aprofundava, envolvia-me numa intimidade desconcertante. Uma vez, cheguei a sonhar com a matriarca do teatro brasileiro. Ela gargalhava e gargalhava pra mim. Naquela época, o acervo de uma vida dedicada ao palco estava amontoado num cubículo. Parecia uma contradição aquela felicidade. Era, no entanto, uma risada autêntica de alegria.



Talvez, por que Dulcina de Moraes sabia que deixou por aqui alguns guerreiros dispostos a lutar pelo valor de sua memória. Alguns deles estão de prontidão para exaltar o centenário da "maior personalidade do teatro brasileiro no século XX", tomando de empréstimo a frase definitiva de Fernanda Montenegro. Cada palavra escrita sobre Dulcina ajuda a avivar a esplêndida história de amor da atriz pelo nosso teatro. Não há dúvidas. Onde quer que Dulcina esteja, ela está em surtos de gargalhadas.

2 comentários:

Maiana disse...

Dulcina... sonhos levados com o tempo

Consuelo hernandez disse...

Ah, que forte...