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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Encontro com Cafetinas


Um projeto de 11 anos de pesquisa que se desdobrou pelos campos do real e da ficção. O livro Conversas de cafetinas (Arquipélago Editorial) começa, em 1997, quando o jornalista Sérgio Maggio resolve investigar, na Bahia, a face mais oculta da prostituição, as donas dos bordéis, e encerra-se, em 2008, quando ele pôs um ponto final no texto teatral Cabaré das Donzelas Inocentes.

Entre um e outro tempo, investigou, em monografia para pós-graduação na Universidade de Brasília (UnB), as prostitutas que se vendem à porta dos hotéis da capital federal. "Foi um mergulho num mundo que infelizmente está renegado ao obscurantismo. O que a grande população sabe das cafetinas chega ou folclorizado pelas telenovelas ou vilanizado pelo noticiário policial. O livro tenta captar a humanidade dessas mulheres, que estão em estado de contravenção por organizar e lucrar com a prostituição", conta o autor.

Com lançamento nacional em Salvador, dia 11 de fevereiro (quarta-feira), às 19h, na Livraria Saraiva (Shopping Salvador), Conversas de cafetinas reúne oito perfis jornalísticos de mulheres que comercializam o sexo em Salvador e cidades do interior baiano. A orelha é assinada pela jornalista e escritora Eliane Brum (Prêmio Jabuti). "A abordagem foi lenta e, em alguns casos, tive que passar horas no salão do cabaré até conseguir a confiança da "dona-de-casa", como a maioria prefere ser chamada. Oito delas aceitaram falar abertamente sobre profissão, cotidiano e amores", revela Sérgio Maggio, que garantiu a condição do anonimato.

Em anexo aos oito perfis, Conversas de Cafetinas traz o texto teatral Cabaré das Donzelas Inocentes, inspirado tanto nas pesquisas da Bahia, quanto na de Brasília. A peça inédita é a estreia do jornalista e crítico de teatro na dramaturgia. Será montada ainda neste ano na capital federal com a direção de Murilo Grossi (Linha de passe, Se nada mais der certo) e de William Ferreira. Em cena, quatro das mais importantes atrizes do teatro brasiliense: Bidô Galvão, Catarina Accioly, Adriana Lodi e Miriam Virna. "A montagem foi contemplada com o edital do Centro Cultural Banco do Brasil 2009, um dos mais disputados e conceituados do país. Na peça, quatro mulheres estão num bordel onde não entra nenhum homem. Elas representam as dezenas de prostitutas que ouvi nos bastidores das duas pesquisas", adianta Sérgio Maggio.


Jovem editora - Sediada em Porto Alegre, a Arquipélago Editorial é uma jovem editora que ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro-reportagem com a obra de estreia, em 2006, A vida que ninguém vê, de Eliane Brum (escritora e jornalista da revista Época). Criada com o propósito de lançar obras de ensaio, biografias, crônicas e reportagens, a Arquipélago Editorial tem sete livros em catálogos, como o premiado Machado e Borges e outros ensaios sobre Machado de Assis. Mais informações: www.arquipelagoeditorial.com.br.

Um comentário:

Cãndida Silva disse...

Parabéns, quero o meu já. Adorei o tema.