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domingo, 25 de janeiro de 2009

A minha língua, por Inês Pedrosa

A minha língua cheira a ligaduras
tintas de sangue e a vinho
ou álcool puro. Língua macha,
derramada em desvergonha
trilho de esperma
marcando o sabor do mar profundo
Língua lenta, solene e trôpega
no conversar corrido
atulhadas de doutores, excelências
favores e obrigações,
banquete de verbos irregulares, regras mestras
maquilhadas por um cortejo de excepções

2 comentários:

Emmerson Lins disse...

fantástica, essa escritora portuguesa. Bacana o blog

Taty Maria disse...

interessante!!!