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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Diário em Tinta Vermelha I




Uma Atriz que se mede no espelho


Ela lembra mais de alguns personagens do que de si mesma


O último beijo que ganhou não foi para ela. Foi dado em Lady Sy, donzela de um conto norueguês, que encenou no verão de 1957.


Os tipos que interpretou no teatro são mais generosos com ela do que aqueles de carne-e-osso


Pelos menos, de hora em hora, ela recebe a visita de um personagem


Eles dizem coisas secretas dentro da sua cabeça


Ai, a Atriz de súbito começa a gritar frases que soam desconexas ao entendimento das colegas de quarto.


Ontem, na hora da Ave-Maria, ela esperniou:


- Soltem os feridos. Eu sou a rainha e quero que eles morram ao relento.


Todas ouviram aquilo como um ar de tormento e, mesmo sem pronunciar nada, diziam em coro:


- A Atriz louca


Eu ri e anoitei tudo nesse diário de tinta vermelha, enquanto Orestes se enroscava na sandália perdida ao pé da cama.


2 comentários:

Linda Morgana disse...

Adorei, vai ter mais continuidade?

Patrícia Del Rey disse...

Partes de uma loucura presente.
Presente vermelho de atriz.
Textos, falas e toques.
retoques de uma vida sem coxia.


Bom te ler por aqui... Um beijo!