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domingo, 9 de novembro de 2008

Ternura e leveza

Foto//Divulgação

Míriam Virna em cena de Fragmentos e sonhos do Menino da Lua


Tinha pouco tempo de Brasília (alguns meses). Estava curioso e cauteloso na busca de entender quem fazia a cena brasiliense e como esse teatro se configurava. Era uma agonia minha, como crítico, mapear os agentes de uma cena em que era estrangeiro.


Lembro do dia em que recebi a visita, na redação do Correio, da diretora Míriam Virna e da atriz Yonara Aniszewski. Elas falavam apaixonadas da montagem de texto de Tennessee Williams. Depois, fui ao Teatro Sesc Garagem (era abril de 2002) e recordo de ter saído em êxtase. Estava ali uma "pequena pérola do teatro brasiliense" (escrevi isso na crítica) . Com um trabalho fino de direção de ator (Rômulo Augusto e Yonara Aniszewski), Míriam exercia uma coordenação inteligente do espetáculo, que começava por um cenário, chave para a montagem. Intermediada pelo dom do talento, Míriam seguiu a sua natural e vocacionada trajetória de diretora produzindo espetáculos com de forte comunicação estética (Decamerão, Contos de Alcova), sem abrir mão das suas inquietações humanas. Ao ganhar a estatueta de diretora do Prêmio Sesc (ela já tinha vencido com espetáculo Contos de Alcova) pelas Ridículas de Moliére, Míriam colhe os frutos de um trabalho que prioriza o ator, a inventidade da encenação e a emancipação do espectador.

Também é responsável por encaminhar novos talentos para o mercado brasiliense. Emocionada, ontem, disse que era uma noite dedicada à ternura. Ternura e Leveza, aliás, são pilares estéticos que norteiam as suas criações.




As Ridículas de Moliére também venceu espetáculo, figurino (Marcus Barozzi), sonoplastia e ator.

6 comentários:

Lucy Mary disse...

Adorei o resultado. Vi a Loira e o Detetive, sensacional. Parabens

Caio Martins disse...

Quando as Rídiculas voltam em cartaz?

Lourdes Sanches disse...

Sérgio, soube disso aqui. Saiu alguma coisa no Correio? Adoro o trabalho da Míriam Virna. Vi Decamerão três vezes. Contos de alcova, levei toda a minha família. Adorei a leitura de Admirável. Bjs

Sacha disse...

Não assisti às ridículas, mas gostei das fotos... Também nunca vi nada da Míriam Virna. Ela já veio ao Rio?

Mariana Polito disse...

È bom ver que Brasília não é mais uma cidade dormitório para aventureiros que chegam a cada nova temporada de mandato. Aqui, tem artistas da terra que se criam e formam, como esta moça, cujo pai foi meu professor da UnB. Míriam Virna já me fez chorar em Brandura, pra mim o melhor espetáculo que já vi.

Ada/Vitória/ES disse...

Molière é jovem, è renovado, è atual, è vibrante. Me parece que esses jovens brasilienses entenderam isso. Viva a Molière! Três batidas para o teatro de Míriam Virna!