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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Tempo Casulo

Foto: Isabel Gouvêa/Divulgação

Bailarinos do BTCA fazem ensaio aberto do espetáculo Engenho, em Salvador

Tempo Casulo

Sérgio Maggio

O bicho se arrasta pela gosma que o prende

Está visivelmente deformado

Olha pro corpo e não se vê

Cresceram membranas esquisitas

Treme de frio

A carapaça se desfez pingo a pingo

Se sente diluído no corpo-poça

A memória de bicho-de-casulo esvai-se

Tem medo de não ser mais o bicho-de-ontem

Tem um fio de lembrança do bicho-de-ontem

O membro estranho tem matizes coloridas

De cores poéticas que se combinam covardemente

Em malha bordada à mão

Ele, bicho-metamórfico, gosta desse corpo-que-se-forma

Não sofre mais a falta do corpo-lembrança

Despede-se do tempo casulo que vira resíduo de gosma


4 comentários:

JP disse...

Lindo demais

Luisa Motta disse...

Uau, sérgio. Não sabia que era poeta. Bjs

Anais Mila disse...

Pôxa, sérgio que bacana, ainda me sinto no casulo, mas minhas asas forçam a malha dura que prende...

Adriana Lodi disse...

Nossa meu amigo lindo!!!!!!!!!!