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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Praça dos mambembes


Foto:Arquivo pessoal

Na Praça Costa Pereira, no centro de Vitória, um menestrel do teatro avisa que é o "espetáculo o organizador do mundo. É pelo teatro que se passa o mundo." Ele está preocupado com a roda de pessoas que se fecha e sufoca o artista.
Quer ocupar todo o terreiro. Manda espalhar chapéus coloridos, plumas, máscaras pela praça. Deseja quebrar o olhar condicionado do transeunte que desce do trabalho para o horário de almoço.
Quer encher de poesia a vida da cidade grande, ocupada com seus problemas típicos. O povo se junta pra ver o que parece ser um fim de manhã diferente.
De repente, a música começa. Os artistas dançam, sacodem bandeiras, dão cambalhotas. São brincadeiras, jogos. Parece circo. As crianças, livres das amarras, se enfeitam rapidamente. Duas meninas viram verdadeiras vedetes do teatro de revista. Elas correm misturadas aos meninos de rua. Não há medos, nem classes. Tudo está misturado.
Mestre do teatro, Amir Haddad e o histórico grupo Tá na Rua comandam uma festa que instiga a memória, faz pensar nas diferenças, nos desencontros, no poder do teatro de salvar vidas sem sonhos. Em depoimentos lúdicos, mostra como o homem triturado pelo moinho do mundo se ergueu em seu teatro.
O público ri, emociona-se, pensa, reflete num teatro épico, que nos faz pensar na brevidade da vida e na importância de não perder a esperança.
Mesmo com uma pasta preta na mão, é possível colocar o colorido da poesia na cabeça.





2 comentários:

Cecília Câncio disse...

Obrigada, fiquei emocionada. O teatro que toca, que resgata o poder do homem, da estima, da nobreza. Lindo, queria estar aí em Vitória, nesta praça colorida de fé e poesia

Vera disse...

Meu mestre Amir, que já me pegou pelas mãos e me salvou. Salve, o Tá na Rua!