Languages

sábado, 4 de outubro de 2008

Ponta de esperança

Foto de Carlos Vieira

Ontem, passei a manhã na Penitenciária Feminina do DF acompanhando o IV Fest´Arte, no qual 36 finalistas (entre homens e mulheres) apresentavam seus trabalhos em categorias como teatro, dança, música, artesanato, poesia. Foi transformador ver como essa experiência de arte-educação é revolucionaria na vida do cárcere. Toda a vez em que os presos subiam no palco, eles quebravam o comportamento cabisbaixo e de visível baixa-estima.


Conheci gente como Veruska da Silva, que roubou banco e hoje acredita no poder da palavra. Ela escreveu o livro, Uma chance pra mim, e sonha em fazer Letras na universidade. Está cheia de possibilidades na cabeça. Vi também Janaina Freitas, que adora música e poesia. Ela foi sensação no festival, subindo e descendo do palco várias vezes. Ganhou primeiro lugar em poesia e segundo em música. Era ovacionada pelas colegas de prisão. Uma líder.


A maioria dos brasileiros não acredita mais em recuperação desse falido sistema prisional. Eu, por exemplo. Mas, ontem, ao ver como a arte mexe nos sonhos dos detentos, eu confesso que acendeu uma ponta de esperança. E se essa experiência de arte-educação inundasse os presídios? Há presos e presos. Assassinos e ladrões de sabonete dividindo a mesma cela. Mas todos parecem não ter mais chance à vida pós-cárcere.


Augusto Boal está fazendo uma revolução silenciosa no sistema prisional brasileiro com o Teatro do Oprimido. São experiências que precisam ser absorvidas como práticas de governo.

Um comentário:

Giselle França disse...

Poxa, tudo fica mesmo iluminado com essa experiência. Deus te abençõe, sérgio!